Seis meses após a megaoperação policial mais letal da história do país, realizada nos complexos do Alemão e da Penha, na zona Norte do Rio de Janeiro, a rotina de violência na região segue praticamente inalterada. É o que apontam dados do Instituto Fogo Cruzado.
A operação, realizada em 28 de outubro de 2025, deixou 122 mortos, sendo 117 civis e cinco policiais, além de 23 feridos. Apesar da magnitude da ação, os indicadores de violência não apresentaram redução significativa nos meses seguintes.
Segundo o levantamento, ao menos 35 tiroteios foram registrados no Complexo da Penha desde então, média de quase seis por mês. Deste total, cerca de 40% ocorreram durante ações ou operações policiais. No período anterior à megaoperação, o cenário era semelhante: 37 registros de tiroteios no mesmo período.
Além disso, 18 pessoas foram baleadas nos seis meses seguintes à ação, sendo metade dos casos durante operações policiais.
Relembre a operação
A Operação Contenção realizada no dia 28 de outubro foi uma megaoperação conjunta das polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro nos complexos do Alemão e da Penha, na zona Norte da capital fluminense. O evento ficou marcado como a operação policial mais letal da história do Brasil, com 122 mortos.
O objetivo da operação foi combater a expansão territorial do CV (Comando Vermelho) e cumprir 100 mandados de prisão contra integrantes e lideranças criminosas da facção. Entre os alvos estavam 30 membros da facção oriundos de outros estados, principalmente do Pará, que estariam escondidos nas comunidades
De acordo com as autoridades, a operação foi resultado de mais de um ano de investigação conduzida pela DRE (Delegacia de Repressão a Entorpecentes). Cerca de 2.500 agentes das forças estaduais de segurança participaram. O suporte logístico incluiu drones, dois helicópteros, 32 blindados e 12 veículos de demolição.
- 122 mortos, sendo 117 suspeitos e 5 policiais;
- 113 presos e 10 menores apreendidos;
- 118 armas apreendidas (91 fuzis + 26 pistolas + 1 revólver), 14 artefatos explosivos.
Entre os principais nomes do CV presos na operação está Thiago do Nascimento Mendes, conhecido como Belão ou Belão do Quitongo. Ele é apontado como braço direito do chefe do Comando Vermelho, Edgar Alves de Andrade, vulgo “Doca” ou “Urso”. Doca também era alvo, mas até agora não foi localizado.
Os quatro policiais mortos no confronto foram enterrados nesta Thursday (30). Dois deles integravam o Bope: o sargento Heber Carvalho da Fonseca e o policial militar Cleiton Serafim Gonçalves.
A CNN Brasil entrou em contato as policias e o governo do Rio de Janeiro. O espaço segue aberto para o posicionamento do governo estadual.
Veja nota na íntegra da Polícia Militar:
“A Secretaria de Estado de Polícia Militar desconhece a metodologia adotada no referido levantamento. Cabe ressaltar que a Corporação considera sempre os dados oficiais divulgados pelo Instituto de Segurança Pública.”
Veja nota na íntegra da Polícia Civil:
“A Polícia Civil informa que desconhece a metodologia utilizada na pesquisa e a possibilidade de rastreabilidade dos dados.
A atuação da Polícia Civil é pautada em informações de inteligência, investigação e nos dados oficiais do Instituto de Segurança Pública (ISP), que orientam ações estratégicas das forças de segurança.
A instituição destaca ainda que atua diariamente, de forma contínua e integrada, com diligências, trabalhos de inteligência e operações para combater a atuação de narcotraficantes, não apenas na região mencionada, mas em todo o estado. As ações também têm como foco a asfixia financeira das organizações criminosas, atingindo diretamente os recursos que sustentam essas atividades ilícitas.”
Imagens mostram “zona de guerra” em megaoperação contra o CV no RJ