A aprovação da Kraken para operar com uma conta master no FED (Federal Reserve) marca um passo inédito na aproximação entre criptomoedas e o sistema financeiro dos Estados Unidos.
Para Vanessa Butalla, vice-presidente de Jurídico, Compliance e Riscos do Mercado Bitcoin explica que, agora, a empresa passa a acessar os trilhos de pagamento do banco central.
“Na prática, esse processo encurta o caminho das operações em dólar, permitindo liquidações mais diretas e menos dependentes de intermediários bancários”, afirma.
A conta, no entanto, foi concedida com limitações. O acesso é parcial e não inclui instrumentos tradicionais do Fed, o que indica cautela por parte das autoridades.
O movimento também ocorre sob questionamentos na transparência do processo e os possíveis impactos para a estabilidade do sistema financeiro, especialmente com a entrada de empresas não bancárias em estruturas críticas.
Para Butalla, o episódio reflete uma mudança mais ampla no mercado.
“Vemos empresas que nasceram no ambiente digital passarem a acessar diretamente estruturas do sistema financeiro tradicional, o que reduz fricções operacionais e aproxima os dois universos”, diz.
A executiva destaca que essa aproximação acontece em paralelo ao avanço da regulação, fator que pode redefinir o setor nos próximos anos.
“A integração entre empresas de cripto e o sistema financeiro tradicional, em um ambiente mais regulado, tende a ampliar a confiança do investidor”, afirma.
Para o investidor, o principal impacto está na infraestrutura que suporta a operação. “Transações mais rápidas, menor fricção e maior previsibilidade nas movimentações”, analisa.
Ainda assim, a integração não elimina os riscos característicos do mercado cripto, como volatilidade e diferenças entre plataformas.
Apesar das incertezas, o caso da Kraken é visto como um precedente relevante para o setor, ainda que sem mudanças imediatas.
“Não se trata de uma abertura ampla ou imediata. O acesso segue restrito, com critérios rigorosos, o que reforça que essa evolução deve acontecer de forma gradual e seletiva, privilegiando empresas com maior grau de maturidade, governança e alinhamento regulatório”, conclui.
Resenha do Dinheiro
Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”; Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb; e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos.
O programa vai abordar semanalmente as principais notícias e movimentos da economia com a leveza de uma conversa informal — como uma resenha entre amigos, no boteco ou após o futebol — mas sem perder a análise e o conteúdo.
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