Líbano espera prorrogação do cessar-fogo em negociações com Israel nos EUA
Enviados libaneses e israelenses se reunirão pela segunda vez em duas semanas em Washington na quinta-feira (23). O Líbano espera a prorrogação do cessar-fogo entre o Hezbollah e Israel.
A trégua de 10 dias, mediada pelos Estados Unidos, deve expirar no domingo (26). Sublinhando a sua fragilidade, o Hezbollah, apoiado pelo Irã, afirmou na terça-feira (21) ter disparado foguetes contra o norte de Israel em resposta às violações israelenses, enquanto Israel também acusou o grupo de violações.
As hostilidades entre o Hezbollah e Israel reacenderam em 2 de março, quando o grupo realizou ataques em apoio a Teerã na guerra com os Estados Unidos e Israel. A mediação de Washington sobre o Líbano surgiu paralelamente à tentativa do Paquistão de pôr fim à guerra dos EUA com o Irã, que exigia que o Líbano fizesse parte de um cessar-fogo.
Washington negou qualquer ligação entre os acordos.
Mais de 2.400 pessoas foram mortas no Líbano desde que Israel lançou uma ofensiva em resposta ao ataque do Hezbollah em 2 de março, segundo as autoridades libanesas.
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Israel ocupou uma faixa de território na fronteira onde suas tropas permanecem, alegando que o objetivo é criar uma zona de segurança para proteger o norte de Israel dos ataques do Hezbollah, que disparou centenas de foguetes contra Israel durante o conflito.
Um funcionário libanês afirmou que a reunião de quinta-feira (23) se concentraria em dois pontos da agenda: a prorrogação do cessar-fogo e a definição de uma data para negociações mais amplas, que ultrapassem o nível de embaixadores, nas quais o Líbano pressionaria pela retirada israelense, pelo retorno dos libaneses detidos em Israel e pela delimitação da fronteira terrestre.
A posição do Líbano é que uma prorrogação do cessar-fogo é um pré-requisito para que as negociações avancem para a fase ampliada, disse o funcionário.
O Hezbollah, que afirma que o cessar-fogo no Líbano foi fruto da pressão iraniana, condenou Beirute por buscar negociações com Israel, refletindo divergências mais amplas com o governo, que há um ano busca o desarmamento pacífico do Hezbollah.
O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, em um discurso, afirmou que Israel tomou uma “decisão histórica de negociar diretamente com o Líbano após mais de 40 anos“, ao mesmo tempo em que o classificou como um “Estado falido”.
“Apelo ao governo do Líbano: Vamos trabalhar juntos contra o estado terrorista que o Hezbollah construiu em seu território. Essa cooperação é ainda mais necessária para vocês do que para nós”, disse ele.
O exército israelense afirmou ter matado dois militantes que cruzaram sua “Linha de Defesa Avançada” no sul do Líbano na terça-feira (21) e se aproximaram de soldados israelenses, alegando que eles haviam violado o cessar-fogo.
Exigências para acordo
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, deverá participar da reunião. O Líbano será representado por sua embaixadora em Washington, Nada Moawad, e Israel representado por seu embaixador, Yechiel Leiter.
O presidente libanês, Joseph Aoun, citou como objetivos o fim dos ataques israelenses ao Líbano e a garantia da retirada das tropas israelenses. Em um discurso na sexta-feira (17), ele afirmou que o cessar-fogo deve ser transformado em “acordos permanentes que preservem os direitos do nosso povo, a unidade da nossa terra e a soberania da nossa nação”.
Ao anunciar o cessar-fogo em 16 de abril, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse ter instruído Rubio, o vice-presidente JD Vance e o chefe do Estado-Maior Conjunto, Dan Caine, a trabalharem com os dois países para alcançar uma paz duradoura.
Líbano e Israel permanecem oficialmente em estado de guerra desde a criação do Estado de Israel, em 1948.
O mais alto funcionário xiita do Líbano, o presidente do Parlamento Nabih Berri, é contra negociações diretas com Israel, afirmando que Beirute poderia ter negociado indiretamente.
O principal político druso do Líbano, Walid Jumblatt, afirmou na terça-feira (21) que o máximo que o Líbano poderia oferecer seria uma atualização do acordo de armistício de 1949 com Israel.
Em declarações à imprensa após uma reunião com Berri, Jumblatt afirmou que deveria haver uma agenda clara para as negociações, que inclua a retirada das tropas israelenses ainda presentes no sul do Líbano.
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