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Lula: Brasil pode se transformar na Arábia Saudita do biocombustível

Por CNN 20/04/2026 11:39 Atualizado em 20/04/2026 11:39

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (20) que o Brasil pode se transformar na “Arábia Saudita do biocombustível”. A declaração foi feita durante coletiva de imprensa em Hannover, após agenda na Feira Industrial de Hannover 2026.

Para Lula, a base dessa ambição está no acúmulo histórico do país. O Brasil é produtor e exportador de petróleo — e ainda assim apostou, na década de 1970, na criação do Pró-Álcool, e no início do século XXI, no biodiesel. Segundo o presidente, esse trajeto coloca o país em posição única para liderar a oferta global de combustíveis renováveis.

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“Os combustíveis renováveis são uma questão de soberania nacional. Um país que é detentor de possibilidades, autossuficiente em petróleo, ousou criar o Pró-Álcool e depois o biocombustível, e obteve o sucesso que estamos obtendo. Eu acho que o Brasil pode se transformar em uma espécie de Arábia Saudita do biocombustível, dos combustíveis renováveis“, disse o presidente.

“O dado concreto é que nós temos que defender as alternativas que o mundo está precisando que seja encontrada, que é a questão da descarbonização do planeta Terra. E por isso eu sou um defensor intransigente dos biocombustíveis“, destacou o chefe do Executivo brasileiro.

Na mesma ocasião, Lula afirmou que um teste realizado no mesmo dia em Hannover mostrou que o combustível renovável brasileiro rodando em caminhão alemão, em estrada alemã, teve como resultado redução de até 90% nas emissões de CO₂.

O experimento foi conduzido por um especialista alemão que mede emissão de gases de efeito estufa para fabricantes do país.

“Hoje nós fizemos um teste com biodiesel renovável do Brasil e com combustível da Alemanha, num caminhão alemão. Não foi num caminhão brasileiro, foi num caminhão alemão, numa estrada alemã, em que a gente resolveu desmistificar o preconceito que se tenta colocar sobre o combustível renovável produzido pelo Brasil“, disse o presidente.

“O que aconteceu é que o combustível renovável do Brasil emite bem menos CO₂ do que o combustível fóssil. A experiência mostrou que chega a reduzir 90% de emissão de CO₂”, continuou.

A métrica usada no teste é conhecida como “da roda ao eixo” — que mede as emissões no trajeto percorrido pelo veículo, e não no ciclo completo de produção.

Segundo o presidente, o objetivo foi demonstrar na prática a eficiência do combustível brasileiro e combater resistências ao uso de fontes renováveis no transporte.

“Aqueles que têm medo de discutir a baixa utilização do combustível fóssil podem parar de ter medo, porque o Brasil está mostrando que é uma opção”, disse.

O chanceler alemão Friedrich Merz, que participou da coletiva ao lado de Lula, foi além e defendeu os biocombustíveis como parte estrutural da transição energética.

“O Brasil tem uma produção em massa grande para a utilização diária de biodiesel e também do álcool, e ambos podem ser utilizados no dia a dia normalmente. Isso nos mostra que não deveríamos descartar tecnologias que vão se tornar relevantes daqui a 20 a 30 anos. Temos mais de um bilhão de carros a combustão nas estradas no mundo afora e será uma grande tarefa descarbonizar esses veículos — e isso não vai funcionar só com carro elétrico”, afirmou Merz.

Lula aproveitou o contexto para defender o papel do Brasil na transição energética global. O país mistura atualmente 30% de etanol na gasolina e 15% de biodiesel no diesel — e, segundo o presidente, já possui caminhões que operam com 100% de biodiesel.

Lula ainda afirmou que cerca de 89% da matriz elétrica brasileira é renovável, percentual que contrasta com os 40% prometidos pela União Europeia até 2050. De acordo com o mandatário, no ano passado o Brasil já atingia 53% de participação de renováveis no conjunto de toda a energia consumida, incluindo combustíveis.

O argumento central de Lula é que os biocombustíveis não concorrem com a produção de alimentos. Segundo ele, o Brasil dispõe de 40 milhões de hectares de terras degradadas disponíveis para reconversão produtiva, o que permitiria expandir a oferta sem pressionar áreas agrícolas ou florestais.

O desmatamento na Amazônia, segundo Lula, já caiu 50% em dois anos e oito meses de governo.

A visita à Alemanha também incluiu a defesa da entrada em vigor do acordo Mercosul-União Europeia, prevista para 1º de maio, e o anúncio de acordos bilaterais em defesa, inteligência artificial, tecnologias quânticas, infraestrutura e bioeconomia.

O fluxo comercial entre Brasil e Alemanha foi de US$ 21 bilhões no ano passado. O estoque de investimento direto alemão no Brasil supera US$ 40 bilhões.

 

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