De volta ao esporte profissional desde o início do ano, o nadador Nicholas Santos foi o grande vencedor da prova dos 50m borboleta no SP Open no último fim de semana. O título é o primeiro passo do novo projeto pessoal do nadador: a vaga nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
Em entrevista à CNN, ele conta como voltou a nadar, os desafios de continuar a carreira aos 46 anos, e como pretende chegar à disputa nos Estados Unidos.
O retorno às piscinas
Nicholas não nadava profissionalmente desde 2022, quando venceu seu último título Mundial. Desde então, ele dividia seu tempo entre os empreendimentos dos quais é sócio e alguns campeonatos masters.
Mas algo mudou no ano passado, quando o Conselho Executivo do Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou a inclusão dos 50m borboleta no programa dos Jogos LA2028. Era a chance de nadar a prova de sua especialidade em uma Olimpíada pela primeira vez. E ele resolveu tentar.
“Comecei a pensar… E todo mundo começou a falar para eu voltar. Encontrei o Guilherme, hoje meu patrocinador, que fez uma proposta de me apoiar no que fosse preciso. Eu vi que fazia muito sentido tentar a classificação”, contou, em entrevista à CNN Esportes.
A rotina de Nicholas já não era a mesma. Dos treinos diários e a vida regrada, ele estava apenas indo à piscina três vezes por semana e fazendo algumas sessões de musculação, focando na qualidade de vida.
“O esporte me traz muita produtividade, me ajudava a trabalhar. Nadei uma prova de forma despretensiosa [de masters] e fiz 23s40. Um tempo bom para quem estava parado. Pensei: 23s40? Eu treinava tanto para fazer esse tempo… Ano passado, em um campeonato master, fiz 23s1. Eu ganharia o Troféu Brasil”, relembra.
Ao bater o índice, ele afirma que se questionou. “Caramba, a natação está muito fraca ou eu estou segurando aqui? O Guilherme me chamou para tentar esse projeto, e eu comprei a ideia. É um negócio que eu sempre quis fazer”.
Olimpíada é o grande sonho
Apesar de integrarem as provas do Mundial de Esportes Aquáticos, as provas de 50m costas, borboleta e peito não estavam no programa olímpico.
Em Pequim 2008, Nicholas chegou ao 16º lugar dos 50m livre, e em Londres 2012, no 9º com a equipe dos 4x100m. Agora, é a hora de estar na prova onde já reinou absoluto. No seu último mundial, aliás, ele entrou para o Guinness Book por se tornar o nadador mais velho a conquistar um mundial na piscina longa.
“Era o meu grande sonho. Ao longo da minha carreira, consegui vários títulos dos 50m borboleta, tanto em piscina curta quanto longa. Só que longa é como se fosse uma Olimpíada para mim, o Mundial. Sendo uma prova olímpica, decidi me dedicar e ver como meu corpo reage”.
As mudanças no corpo são inegáveis, mas contornáveis com muito estudo e estratégia, segundo ele.
“O que muda de verdade é a recuperação. Sabemos que quando começamos a envelhecer, perdemos potência, movimentos rápidos, que exigem explosão. Eu brigo com isso a minha vida inteira, por estender minha carreira. Tenho que tomar mais cuidado com a recuperação, alimentação, sono. Quando mais novos, dormimos mal, tá tudo certo. Agora, sou mais dependente disso”, enumera.
Mas há também o lado positivo da maturidade dentro d’água. “Há a resiliência mental, a tolerância aos desafios do esporte, como subir em um bloco do Campeonato Mundial. Essa pressão e essa resistência já estão mais bem desenvolvidas”, conta.
E o tempo?
No SP Open, Nicholas nadou para 23s71. Nas suas contas, precisa chegar nos 22s6 para entrar na lista dos classificados para os Jogos Olímpicos. Diferente de outras modalidades da natação, que garantem classificação via índices olímpicos e rankings, as vagas dos 50m borboleta serão decididas na Copa do Mundo, em outubro de 2027.
Os seis primeiros colocados estarão garantidos nos Jogos. O objetivo, então, é claro.
“Meu melhor tempo é 22s60, recorde brasileiro sul-americano. Eu nadei 23s1 no ano passado, em um campeonato Master. Mas eu estava como um atleta amador naquele momento. Eu acho que consigo ficar nos 22s7, ou um pouco mais baixo”, prevê.