A agroindústria brasileira encerrou o primeiro trimestre de 2026 em terreno positivo, sustentada pelo avanço dos segmentos de alimentos e bebidas, mesmo em um ambiente de desaceleração industrial e juros elevados. Segundo levantamento da FGV Agro com base na Pesquisa Industrial Mensal do IBGE, a produção agroindustrial acumulou crescimento de 0,4% entre janeiro e março na comparação com o mesmo período do ano anterior.
O resultado do trimestre foi consolidado por uma recuperação em março, quando o setor registrou expansão de 2,9% frente ao mesmo mês de 2025. A leitura do mês, no entanto, veio acompanhada de ressalvas: março de 2026 teve 22 dias úteis, ante 19 no ano anterior, fator que pode ter ampliado artificialmente parte do crescimento observado.
Ainda assim, o desempenho da agroindústria contrastou com a fraqueza de boa parte da indústria de transformação. De acordo com a FGV Agro, 14 dos 23 segmentos industriais do país registraram retração no primeiro trimestre, enquanto atividades ligadas à cadeia agroindustrial permaneceram entre as poucas em expansão
Alimentos e bebidas
O principal vetor de crescimento veio do segmento de produtos alimentícios e bebidas, que acumulou alta de 2,7% no trimestre. Dentro desse grupo, os produtos alimentícios avançaram 2,6% e as bebidas cresceram 3,3%.
O destaque ficou com os alimentos de origem vegetal, cuja produção acumulou expansão de 4,3% entre janeiro e março, refletindo o aumento da fabricação de conservas, sucos, óleos, gorduras, arroz e trigo.
Já os alimentos de origem animal foram beneficiados principalmente pela maior produção de carnes e laticínios. Em março, o segmento cresceu 6,2% na comparação anual.
No setor de bebidas, o avanço foi puxado pelas bebidas alcoólicas. Em março, a produção do segmento cresceu 5%, enquanto as bebidas não alcoólicas recuaram 0,9%.
Biocombustíveis
Na outra ponta, os produtos não alimentícios continuaram pressionando o desempenho agregado da agroindústria. O segmento acumulou retração de 2,7% no primeiro trimestre. A única exceção relevante foi o setor de biocombustíveis, que avançou 25,1% no período e ajudou a limitar perdas maiores no indicador geral.
Os segmentos de insumos agropecuários, produtos têxteis e produtos florestais permaneceram em queda no acumulado do ano, refletindo a menor produção de defensivos agrícolas, máquinas, celulose, papel e madeira.