O vazamento do áudio entre o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), e o ex-banqueiro, Daniel Vorcaro, tem duas principais repercussões eleitorais.
A primeira é que, mesmo diante do impacto para a campanha de Flávio, as chances do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reeleger não aumentaram tanto. Não só porque ainda estamos a mais de 5 meses da eleição, com muito chão pela frente e tempo de recuperação, mas também porque Lula entra vulnerável nesse pleito.
A fraqueza do presidente ocorre na medida em que os eleitores estão preocupados com corrupção e segurança, temas em que ele não é muito crível eleitoralmente. Além disso, o grande risco para Lula vem de fora: de uma guerra prolongada no Oriente Médio, que pode elevar os preços de alimentos no Brasil.
A segunda conclusão a partir desse caso é que ainda se mostra necessário ficar atento a um nome da direita que não seja Flávio. Vários indicadores qualitativos chamam a atenção que nesse ciclo eleitoral a população entra com um certo cansaço, não só do lulismo, mas do bolsonarismo.
Existe um grande desalento com relação à classe política. Esse novo ciclo de investigações tende a tensionar ainda mais essa relação, manchando não só a reputação de Flávio, mas também de Lula.
Diante dessa crise, de mais um escândalo, a probabilidade de uma “surpresa” da direita começar a subir nas pesquisas ficou reforçada.
* Christopher Garman é mestre em ciências políticas, pesquisador e diretor-executivo para as Américas do grupo Eurasia. Este texto foi transcrito em primeira pessoa de análise em vídeo para o WW.