O presidente dos EUA, Donald Trump, embarcou para a China onde se encontrará com o presidente Xi Jinping, em uma visita considerada de grande relevância para as relações entre as duas potências. Antes de partir, Trump afirmou que pretende ter uma longa discussão com o líder chinês sobre a guerra no Irã, mas declarou que os Estados Unidos não precisam da ajuda de Pequim para lidar com o tema.
A analista Fernanda Magnotta avalia, no CNN 360°, que a expectativa para o encontro deve ser de administração de riscos sistêmicos, e não de uma tentativa de reaproximação entre os países.
“Essa ida do presidente Trump à China tem menos a expectativa de funcionar como um momento de reaproximação, porque a deterioração foi inevitável nos últimos tempos, mas ela serve como uma tentativa de administração de certos riscos sistêmicos”, afirmou Magnotta. Segundo ela, a rivalidade entre os dois países é estrutural e irreversível, mas existe interesse mútuo em alinhar alguns aspectos da relação bilateral.
Magnotta destacou que Trump chega à China em uma posição considerada desconfortável. A analista observou que, em geral, quem se desloca para o encontro sinaliza maior necessidade do outro. “Não é Xi que vai aos Estados Unidos, é Trump que vai à China”, pontuou.
Além disso, a popularidade interna de Trump não estaria em seu melhor momento, e Pequim receberia os Estados Unidos sob a imagem de um país desgastado, tanto militarmente quanto politicamente. A analista também ressaltou que o contexto do Irã abriu espaço para que a China se posicionasse como uma força estabilizadora no Oriente Médio.
Temas centrais da agenda bilateral
Entre os principais tópicos previstos para as reuniões, Magnotta destacou tecnologia, minerais críticos e terras raras, e os impactos desses elementos sobre a indústria de chips, computadores e o campo da defesa e segurança internacional. A comitiva americana inclui figuras importantes nessa área.
No campo da segurança, há também a preocupação em alinhar posições sobre Taiwan e sobre uma eventual colaboração militar da China com o Irã — uma apreensão americana que deve ser endereçada durante os encontros.
Questões econômicas e comerciais
Do ponto de vista econômico, existe a expectativa de que sejam tomadas decisões em torno de tarifas e promoção do comércio. A guerra comercial e tarifária entre os dois países chegou a alíquotas superiores a 200%, inviabilizando praticamente as trocas bilaterais.
As duas economias são altamente interdependentes, tanto no plano das trocas diretas quanto no mercado financeiro, com a China figurando como grande detentora de títulos da dívida pública americana. Segundo Magnotta, os Estados Unidos devem buscar oportunidades comerciais com a China, com destaque, neste momento, para o agronegócio americano.