Atlas explica método de áudio em pesquisas eleitorais; entenda
A AtlasIntel afirmou que o teste de áudio incluído no levantamento eleitoral divulgado nesta terça-feira (19), foi aplicado apenas após o encerramento do questionário principal, sem qualquer possibilidade de alterar as respostas já registradas. O procedimento passou a ser questionado pelo partido do senador Flávio Bolsonaro, o PL, que acionou o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) depois de pré-candidato à Presidência aparecer com queda de seis pontos percentuais.
A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg aponta que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro acumula 41,8% das intenções de voto contra 48,9% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno da eleição presidencial.
Segundo Yuri Sanches, head de Análise Política da AtlasIntel, a pessoa que participa da pesquisa primeiro responde a todas as perguntas sobre aprovação do governo, imagem de políticos, cenários eleitorais e rejeição. Só depois de enviar o formulário ele é redirecionado para outra interface, na qual pode, se quiser, ouvir um áudio e registrar suas reações em tempo real.
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“As perguntas são feitas naquela ordem [em que aparecem no TSE], mas a questão é que o questionário da pesquisa que a gente divulgou hoje, ele é apresentado de uma forma completamente separada do teste de áudio”, explicou Sanches em entrevista à CNN Brasil.
Segundo ele, o teste de áudio só é apresentado depois que o participante termina e envia todo o questionário da pesquisa. Ou seja, o entrevistado responde a perguntas sobre a aprovação do presidente, a avaliação do governo, a imagem de lideranças políticas, cenários eleitorais e índices de rejeição. Após concluir essa etapa e enviar as respostas, o questionário é encerrado e não permite que o participante volte para alterar qualquer resposta.
“A partir daquele momento que você enviou, você não tem como retornar, você não tem como mudar uma resposta”, enfatizou Sanches.
O que diz o PL?
Após a divulgação do levantamento, o PL apresentou uma ação ao TSE questionando se a exposição ao áudio poderia ter influenciado as respostas dos entrevistados. A sigla ainda pediu a suspensão da pesquisa. A AtlasIntel afirma que a metodologia segue rigorosamente as normas eleitorais.
“O questionário constrói uma progressão: medo eleitoral; comparação Lula x Flávio; fraude financeira; Banco Master; Daniel Vorcaro; conversas vazadas; possível envolvimento direto; impacto sobre voto; enfraquecimento da candidatura; retirada da candidatura. Essa cadeia produz contexto, não mera medição”, cita o partido
O pedido ao TSE ainda alega que a pesquisa, da forma como foi feita, pode criar “indevidamente, manchetes e narrativas de campanha baseadas em resultados obtidos após estímulo negativo”. “Isso desvirtua a função informativa da pesquisa eleitoral e permite que o instrumento de medição se converta em meio indireto de propaganda negativa”.
Yuri diz que o instituto “opera com total transparência e dentro de todas as regras que o TSE exige. A gente está bem tranquilo em relação a ser transparente mesmo, a mostrar a metodologia, mostrar a ferramenta.”
Segundo o PL, a defesa afirma ainda que a pesquisa obrigou os entrevistados a ouvir um áudio atribuído a Flávio Bolsonaro dentro do questionário, antes de responder sobre sua candidatura e imagem política. Segundo o PL, isso não seria mera coleta de opinião, mas um “estímulo” direcionado para produzir reação negativa no eleitor.
“O questionário introduz afirmações peremptórias sobre um ‘esquema de fraudes financeiras’, obriga o entrevistado a emitir juízos sobre ‘mensagens vazadas’ e, de forma inédita, impõe a exibição compulsória de uma peça audiovisual com acusações gravadas contra o político”, cita trecho da petição.
Como funciona o teste de áudio
De acordo com o head da AtlasIntel, após concluir o questionário, o entrevistado é convidado a participar de uma etapa opcional, chamada de Atlas VRC. Nessa ferramenta, o participante ouve o áudio e movimenta o dedo sobre uma escala para indicar, segundo a segundo, se está gostando ou rejeitando o conteúdo.
“Na ferramenta VRC, o respondente pode ouvir o áudio enquanto ele tá com o dedo em cima de uma escala e aí essa escala ele vai conforme o vídeo vai sendo reproduzido ou o áudio áudio vai sendo reproduzido, ele vai arrastando o dedo para a direita se ele está gostando mais daquele daquele conteúdo, conforme o conteúdo vai avançando”, disse.
“Então ele [respondente] vai arrastando em intensidade, se ele arrasta só um pouco para a direita, que ele está gostando um pouco do que ele está vendo. Se ele arrasta ao máximo é porque ele está gostando muito daquele conteúdo. Da mesma forma ele arrasta para a esquerda o dedo em cima da escala, se ele não estiver gostando do do material também na mesma intensidade”, continuou.
Segundo Sanches, essa tecnologia permite registrar a reação de uma amostra representativa da população a conteúdos audiovisuais, com ajustes estatísticos para refletir o perfil do eleitorado brasileiro.
“Essa ferramenta faz com que a gente grave segundo a segundo a reação de uma amostra representativa da população é sobre um conteúdo audiovisual. A gente calibra essa amostra também para que seja representativa. Então calibra por gênero, por idade, pelas demografias chave para garantir que seja uma amostra robusta e representativa da população”, concluiu.
Recrutamento dos participantes
Yuri ainda explicou que os entrevistados são recrutados por meio de anúncios exibidos aleatoriamente durante a navegação na internet. Quem visualiza o banner pode optar voluntariamente por participar da pesquisa.
“A gente programa uma série de anúncios para recrutar o nosso respondente, de uma forma exatamente aleatória na navegação natural dele na internet’, declarou.
De acordo com ele, “a ideia é justamente atrair uma amostra o mais aleatória possível, por isso a gente não coloca um alvo em relação a gênero, a idade, nada de isso”.
Após a coleta, a empresa aplica um algoritmo próprio de pós-estratificação, que atribui pesos estatísticos para que a amostra reflita as características demográficas do eleitorado.
Margem de erro e segurança
O diretor da AtlasIntel afirmou que o tamanho da amostra influencia diretamente a margem de erro: quanto maior o número de entrevistas, menor a variação estatística.
“A gente tem a população de brasileiros, o eleitorado. Então, o universo de respondente que a gente está é, olhando ali, a gente vai pegar uma amostra desse universo. Essa amostra, ela tem de ser representativa, ela tem que estar dentro dos parâmetros de das demografias chave que a gente tem no perfil do eleitorado. Então, quanto maior a amostra, a gente consegue diminuir a a margem de erro.”
Para evitar que uma mesma pessoa responda mais de uma vez, cada participante recebe um token único para garantir a “integridade” da pesquisa. Links compartilhados ou tentativas de reutilização são bloqueados ou descartados.
“Então, por exemplo, uma coisa que também não pode acontecer é o respondente pegar aquele link do questionário e tentar compartilhar com outras pessoas para outras pessoas reutilizarem, responderem aquele questionário”, explicou.
“A gente tem algumas camadas de segurança, então ou a resposta que venha dali, ela é sumariamente descartada ou o respondente não consegue nem responder à pesquisa”, concluiu.