Bittar x Jorge Viana: o revanchismo que envergonha o eleitor e o debate improdutivo que esvazia propostas para o Acre
A disputa pelo Senado Federal no Acre volta a ser marcada por um dos embates mais intensos e polarizados da política acreana: de um lado, o senador Márcio Bittar; do outro, o ex-governador Jorge Viana. Mais do que adversários eleitorais, os dois protagonizam há anos uma guerra política, ideológica e pessoal que já ultrapassou os limites do discurso político, chegando à Justiça e até a registros policiais.
O confronto entre ambos se consolidou como um dos capítulos mais turbulentos da história política recente do estado. Acusações mútuas, ataques públicos, processos judiciais e trocas de declarações inflamadas transformaram a relação entre os dois em um permanente campo de batalha. Em diversos momentos, o clima de hostilidade contaminou o debate político acreano e dividiu militâncias, aliados e até setores da sociedade civil.
Enquanto isso, boa parte do eleitorado demonstra desgaste diante da repetição do conflito. Nas ruas e nas redes sociais, cresce a percepção de que o Acre continua preso a uma disputa pessoal e ideológica que pouco contribui para o enfrentamento dos problemas reais do estado, como desemprego, violência, isolamento logístico, precariedade na saúde pública e falta de oportunidades econômicas.
Márcio Bittar construiu sua trajetória alinhado ao campo conservador e à direita nacional. Próximo do ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador se tornou uma das principais vozes bolsonaristas da Região Norte. Seu discurso é marcado pela defesa do agronegócio, endurecimento na segurança pública, redução do tamanho do Estado e críticas contundentes à esquerda, especialmente ao Partido dos Trabalhadores. Mas Bittar carrega uma ferida que dificilmente irá cicatrizar: as tentativas de garantir poder familiar. Primeira com a derrota acachapante da ex-mulher, Márcia, na disputa ao Senado, quanto ele, o marido, inda tinha dois anos na mesma casa legislativa. Imagina marido e mulher, hoje, senadores? Tentou emplacar o filho, João Paulo, vereador na capital. O eleitor disse um NÃO estridente. E agora volta com o filho á tiracolo, acreditando ser capaz de elegê-lo deputado federal.
Bittar também mantém forte aproximação com setores produtivos ligados ao campo e empresários que defendem flexibilização ambiental e ampliação da infraestrutura para exploração econômica da Amazônia.
É visto como uma ameaça global.
Já Jorge Viana representa o campo progressista acreano e carrega a marca histórica da Frente Popular, grupo político que governou o Acre por duas décadas. Ex-governador e ex-senador, Viana mantém forte ligação com pautas ambientais, desenvolvimento sustentável e políticas sociais. Sua imagem pública foi construída nacionalmente associada ao legado de Chico Mendes e ao discurso da preservação da floresta aliada ao desenvolvimento regional. Para seus apoiadores, Jorge simboliza experiência administrativa e capacidade de articulação política em Brasília. Para os adversários, porém, representa um modelo político considerado ultrapassado e responsável pelo domínio prolongado da esquerda no estado. Também carrega chagas em seu currículo: fracassou na promessa de seu grupo de tornar o Acre “o melhor lugar pra se viver no mundo” e deixou um rastro de ineficiência e descaso no projeto da Florestania, além de mudar de domicílio junto com vários outros caciques petistas da época – o que lhe rende críticas de “forasteiro ilustre” ao ressurgir no Acre, agora, para pedir votos.
A rivalidade entre os dois também reflete a profunda polarização ideológica que tomou conta do Brasil nos últimos anos. De um lado, o conservadorismo bolsonarista; do outro, o campo ligado ao lulismo e às forças progressistas. No Acre, essa disputa ganha contornos ainda mais intensos por envolver personagens históricos, egos políticos consolidados e grupos que se enfrentam há décadas pelo controle do poder estadual.
Apesar da intensidade do embate, cresce a cobrança por um debate mais propositivo. Empresários, jovens, lideranças comunitárias e até aliados históricos demonstram preocupação com o fato de que a campanha possa novamente ser dominada por ataques pessoais, revanchismo político e disputas ideológicas, deixando em segundo plano temas estratégicos para o futuro do Acre.
O eleitor acreano acompanha, mais uma vez, uma disputa marcada por paixões políticas e memórias de antigos confrontos. Resta saber se, desta vez, Márcio Bittar e Jorge Viana conseguirão apresentar mais do que acusações mútuas e transformar a corrida pelo Senado em um verdadeiro debate sobre desenvolvimento, geração de emprego, integração regional e perspectivas concretas para o estado.