Cacique Raoni é internado com problemas respiratórios em UTI em Mato Grosso
O cacique Raoni Metuktire, de 93 anos, está internado com problemas respiratórios na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Dois Pinheiros em Sinop, em Mato Grosso.
O líder indígena tem quadro clínico estável, segundo o último boletim médico divulgado pela unidade hospitalar. Ele está hospitalizado desde essa quinta-feira (14).
Na última terça-feira (12), o cacique apresentou nova indisposição clínica, sendo inicialmente atendido na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Peixoto de Azevedo e, em seguida, encaminhado ao Hospital Regional do município, onde recebeu atendimento médico. A pedido da família, foi transferido para o Hospital Dois Pinheiros na quinta.
O Hospital Dois Pinheiros informa que o paciente apresenta múltiplas comorbidades pré-existentes, entre elas, Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), além de cardiopatia com marcapasso cardíaco implantável e insuficiência cardíaca.
Durante a internação, evoluiu com exacerbação do quadro respiratório associado à DPOC, permanecendo sob acompanhamento multidisciplinar envolvendo as equipes de pneumologia, cardiologia, cirurgia geral do aparelho digestivo e fisioterapia respiratória.
Neste sábado (16), após reavaliação clínica, Raoni foi transferido para a UTI como medida preventiva, considerando a necessidade de monitoramento contínuo e vigilância assistencial intensiva, diante da idade avançada e fragilidade clínica.
Em novo boletim médico, o hospital informou que o cacique não teve intercorrências nas últimas horas, permanecendo sob monitoramento contínuo e acompanhamento multidisciplinar.
No último dia 9 de maio, Raoni havia recebido alta médica após ficar internado com um quadro de hérnia crônica. Ele tinha passado por um tratamento clínico de quadro gastrointestinal, com melhora do estado geral, retornando à sua casa próximo a Sinop.
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Quem é Cacique Raoni
Ropni Metyktire, líder indígena conhecido como Cacique Raoni, nasceu provavelmente no início da década de 1930, em uma antiga aldeia Mebêngôkre (Kayapó) denominada Kraimopry-yaka, no nordeste do Estado de Mato Grosso, segundo informações do Instituto Raoni.
Durante o período de sua juventude, os Mẽbêngôkre viviam em aldeias seminômades, sem contato pacífico com a sociedade envolvente. Em 1954, quando o povo Mẽbêngôkre estabeleceu contato definitivo com os brancos, Cacique Raoni tinha aproximadamente 24 anos e teve um papel fundamental no processo de pacificação de diversas aldeias.
Nesta época, conheceu os irmãos Villas Boas, com quem aprendeu a falar a língua portuguesa e a tomar consciência do mundo não-indígena. A partir de então, Raoni passou a ser o principal interlocutor entre os Mẽbêngôkre e a sociedade nacional.
Ao longo de sua trajetória, Cacique Raoni foi protagonista em diversas lutas em favor dos povos indígenas e da Amazônia, passando a ser reconhecido internacionalmente como liderança legítima e porta voz da preservação do meio ambiente.
Em 1978, foi tema de um documentário indicado ao Oscar e em 1987, após seu encontro com Sting, alcançou notoriedade internacional. Nas décadas 80 e 90 teve papel fundamental na demarcação dos territórios Mẽbêngôkre, um dos maiores blocos contínuos de floresta tropical do mundo e que ainda hoje constitui a maior barreira contra o desmatamento na porção leste da Amazônia, além de participar do processo de demarcação de territórios de diversos outros povos.
Teve forte atuação na Assembleia Constituinte em 1987 e 1988 junto ao movimento indígena, a qual resultou na inclusão dos direitos fundamentais dos povos indígenas na Constituição Federal de 1988.
Na década de 90 e a partir do ano 2000, Cacique Raoni realizou inúmeras viagens pelo mundo e conquistou o apoio de importantes lideranças e personalidades internacionais, que resultaram no levantamento de fundos internacionais para a demarcação de terras indígenas brasileiras, bem como na tomada de consciência do público em geral sobre a necessidade de proteger a floresta amazônica e suas populações nativas.
A partir de 2018, Raoni assumiu mais uma vez a linha de frente na luta pelos direitos dos povos indígenas e pela defesa da Amazônia. Uma nova campanha foi realizada em 2019, na qual Cacique Raoni advertiu ao mundo sobre o desmatamento na Amazônia e as ameaças que exploram a floresta, buscando apoio para garantir a condições para a proteção territorial e o fortalecimento sociocultural de seus povos.
Em janeiro de 2020, Raoni convocou um encontro histórico de lideranças de povos da floresta, no qual reiterou a importância de sua união contra os ataques e retrocessos aos direitos e políticas indígenas e ambientais.