Início / Versão completa
Manchete

Cadê o dinheiro, Joabe? Vereadores questionam paradeiro de R$ 6,5 milhões e denunciam desmoralização na Câmara

Por REDAÇÃO 12/05/2026 12:15

A Câmara Municipal de Rio Branco atravessa um dos momentos mais turbulentos de sua história recente. O que se viu na sessão desta terça-feira, 12 de maio de 2026, não foi apenas um debate parlamentar acalorado, mas um verdadeiro levante político que deixou o presidente da Casa, Joabe Lira (UB), em uma posição de isolamento severo e vulnerabilidade administrativa. Pior: ás vésperas da pré-campanha eleitoral, em que o padrinho político de Lira, o ex-prefeito Bocalom, é candidato a governador por uma aliança empobrecida, e o próprio apadrinhado ensaia candidatura a deputado estadual. As reações generalizadas a Joabe sugerem que muitos milhões estariam reservados para investimentos outros, em que “só Deus Sabe”.

O Paradoxo da Escassez em Meio à Abundância

O ponto central da discórdia reside em uma contradição contábil e narrativa. Enquanto Joabe Lira justifica o cancelamento de viagens e o represamento de ações com uma suposta “dificuldade financeira” herdada, parlamentares como Raimundo Neném (PL) trazem a público números que pintam um cenário oposto.

A denúncia de um repasse excedente de R$ 6,5 milhões por parte da prefeitura coloca o presidente em uma “saia justa” institucional:

A fala de Neném, ao dizer que “só Deus sabe o que vai acontecer com esse dinheiro”, não é apenas um desabafo; é uma acusação grave de falta de transparência que ecoa o sentimento de uma sociedade que exige prestação de contas rigorosa sobre o paradeiro de milhões de reais em recursos públicos.

O Isolamento Político e a Queda da Autoridade

A gravidade da crise se mede pela diversidade das vozes dissonantes. Não se trata apenas da oposição; o descontentamento atingiu a base e a própria mesa diretora. Quando o vice-presidente, Leôncio Castro, e o líder do prefeito, Márcio Mustafá, vêm a público desautorizar a conduta de Lira, o presidente deixa de ser um líder para se tornar um estrangeiro em sua própria Casa.

As acusações de Bruno Moraes (PP) sobre a “desmoralização” do Legislativo e o descumprimento sistemático de acordos sugerem uma presidência que perdeu o controle sobre a principal moeda de troca da política: a palavra. O episódio da posse protelada de Hildegard Pascoal e o cancelamento seletivo de passagens indicam uma gestão que, sob o pretexto da austeridade, pode estar utilizando a caneta como ferramenta de retaliação política.


Joabe Lira tenta minimizar as críticas classificando-as como vindas de uma “pequena parte”, mas o quórum de insatisfeitos na tribuna diz o contrário. O clima de “trem da alegria” versus “má versação” revela uma Câmara que gasta mais energia em conflitos fratricidas do que em legislar para o cidadão de Rio Branco.

Atualmente, o presidente Lira encontra-se sitiado. De um lado, o Tribunal de Contas e a sociedade civil observam o destino dos milhões repassados; do outro, seus pares exigem respeito à autonomia do colegiado. Se não houver uma abertura imediata das contas e um cronograma real para a ocupação da nova sede, a atual presidência corre o risco de ser lembrada não pela gestão financeira, mas pela paralisia institucional e pelo esgarçamento ético de um poder que deveria ser o exemplo da transparência.

Recomendado
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.