Ciro Gomes (PSDB) lançou neste sábado (16) a sua pré-campanha ao governo do estado do Ceará. Se vencer a disputa, volta para um segundo mandato no Palácio da Abolição, quando dirigiu o estado entre 1990 e 1995.
No discurso em que aceitou a indicação do PSDB, Ciro Gomes atacou o avanço das facções criminosas no estado durante os últimos 10 anos em que o Partido dos Trabalhadores e o Partido Socialista Brasileiro estiveram no comando do Ceará. E também criticou os abusos que estão sendo cometidos no STF (Supremo Tribunal Federal).
“Ninguém nesse país é mais bravo e lutador do que o povo do Ceará. Mas hoje vive olhando para o lado, aterrorizado e humilhado pelas facções criminosas. Nunca se avançou tanto pela omissão das autoridades”, afirmou, lembrando que na última década nenhum delegado de polícia foi contratado efetivamente no estado.
Candidato à presidência da República em quatro eleições, ministro de estado por duas vezes, ex-prefeito de Fortaleza, deputado federal e estadual, Ciro prometeu enfrentar o crime organizado como forma de retomar o desenvolvimento econômico. “As indústrias não vêm mais para o Ceará. Estão indo para Pernambuco, Rio Grande do norte”, explicou.
O evento de lançamento contou com apoio do ex-senador e ex-governador Tasso Jereissati (PSDB), que destacou o gesto de Ciro em deixar uma nova corrida ao Palácio do Planalto para concorrer no Ceará. Jereissati também falou de segurança pública: “o estado não pertence mais a nós, o estado do Ceará pertence às facções, ou é no seu bairro, no seu distrito, onde você vai, quem manda são as facções. Não existe a presença do estado, o povo está amedrontado.”
“Prende ele”
Num episódio fora do roteiro para o lançamento de uma candidatura, Ciro Gomes interrompeu sua fala e disparou: “ Meu irmão, você está querendo ser preso? O cara está fazendo o símbolo do comando vermelho. Prende ele”. O agora candidato se confundiu com o gesto de um correligionário, pediu desculpas e aproveitou a gafe para mandar um recado. “O comando vermelho, vai pra cadeia”.
União de esforços
Em sua fala, o candidato do PSDB explicou a aproximação com adversários de eleições anteriores para enfrentar o Partido dos Trabalhadores no Ceará. Ciro se uniu aos candidatos a governador derrotados em 2022, Capitão Wagner (União) e Roberto Cláudio (Progressistas).
“Se quiser recuperar na internet o que um falou do outro, vai ser uma beleza para quem quiser fazer essa sabotagem. Essa união é pra que? É pra atender o benefício pessoal ou é para libertar o Ceará do inimigo maior, do mal maior, da tragédia maior?”, minimizou Ciro sobre os ataques já trocados pelos agora aliados de campanha.
Ataque ao STF
Ao apresentar o ex-deputado Capital Wagner como candidato ao Senado, Ciro afirmou que uma das tarefas dele em Brasília será “botar um freio nesse lado apodrecido do Supremo Tribunal Federal. Não é mais possível o Brasil ficar calado, amedrontado, diante de tanto abuso que está acontecendo lá”.
Ciro começa a percorrer o estado na próxima sexta-feira pela cidade de Sobral, seu berço político, e em seguida, Crato.