A contratação de seguro rural no Paraná despencou nos últimos quatro anos e acendeu um sinal de alerta no agronegócio brasileiro diante do aumento dos eventos climáticos extremos e da redução dos recursos federais destinados ao setor.
Dados da CNSeg (Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais) mostram que a arrecadação com seguro rural no estado caiu de R$ 2,3 bilhões em 2022 para R$ 1,9 bilhão em 2025, uma retração de 17% no período.
A queda é ainda mais expressiva no número de contratos. Informações do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), do Ministério da Agricultura e Pecuária, apontam que o total de apólices contratadas no Paraná caiu de 82 mil em 2021 para 26 mil em 2025, recuo de 68,3% em quatro anos.
O encolhimento também atingiu a área protegida pelo seguro. Em 2021, mais de 3,8 milhões de hectares estavam segurados no estado. Em 2025, esse número caiu para 1,25 milhão de hectares, uma redução de 63,8%.
Para o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, os cortes no orçamento do programa federal de subvenção ajudaram a desestimular a adesão dos produtores.
“Parte significativa dessa queda está relacionada aos cortes anunciados pelo governo federal, nos últimos anos, para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural. Isso desestimula o agricultor e coloca toda a atividade em risco”, afirma Meneguette.
Os cortes do orçamento federal preocupam o setor. Em 2025, cerca de 42% dos recursos previstos para o PSR foram bloqueados. Já em 2024, a execução do programa ficou aproximadamente 40% abaixo do valor aprovado pelo Congresso Nacional.
O Sistema FAEP avalia que a redução da subvenção elevou o custo das apólices e reduziu a atratividade do seguro para os produtores rurais, especialmente em culturas mais expostas às perdas climáticas.
Estado líder em contratações
Historicamente, o Paraná lidera a contratação de seguro rural no Brasil. Em 2024, o estado respondeu por 37,5% das apólices contratadas via PSR, com mais de 45,8 mil contratos.
O movimento de retração é nacional. Dados da CNseg indicam que a área segurada no Brasil caiu de 13,7 milhões de hectares em 2021 para 3,2 milhões no ano passado, uma queda de 76,6%.
A arrecadação do setor também recuou no país, passando de R$ 14,2 bilhões para R$ 12,9 bilhões em 2025, baixa de 8,8%.
“Sem ampliação da subvenção federal e sem revisão do modelo atual de cobertura, a tendência é de redução ainda maior da adesão ao seguro rural, justamente em um momento de maior volatilidade climática e pressão sobre os custos de produção no campo”, lamente Meneguette.