Controlador do pool de açougues e da Marca leilões é um dos presos em operação da PF em Rio Branco

Enielson Moraes de Souza ganhou forte projeção econômica na capital acreana, Rio Branco, como o proprietário e principal operador da rede de açougues e comércio varejista de carnes conhecida como Casa de Carne Na Rota do Boi (ou simplesmente “Rota do Boi”). Ele foi preso na manhã desta quinta-feira na capital acreana operação da Polícia Federal para desbaratar uma quadrilha que, segundo as investigações,  trafica drogas entre vários estados (saiba mais logo abaixo).

  • O negócio: A rede A Rota do Boi  operou com diversas unidades no estado. Posteriormente, o empresário também expandiu as atividades para o processamento de carne com o Frigo Rota (Frigorífico Rota).

  • Crise e Acusações: Entre o final de 2023 e o início de 2024, as empresas do grupo passaram a enfrentar graves problemas financeiros e denúncias públicas feitas por fornecedores agropecuários locais de diversos municípios (como Xapuri e Epitaciolândia), que acusavam a rede de aplicar calotes e reter pagamentos milionários pelo gado adquirido.

Existe uma confusão comum na região quanto ao nome da empresa de leilões ligada ao empresário:

  • Leilo Marca Leilões: Esta é a empresa de leilões rurais de gado de corte pertencente a Enielson Moraes de Souza e que foi formalmente ligada às suas atividades e investigações patrimoniais.

  • Esteios Leilões: A Esteios Leilões Rurais é uma empresa tradicional e ativa no mercado da pecuária acreana (fundada na década de 1990), sendo muito conhecida pela transmissão de arremates semanais na região. Institucionalmente, o foco das investigações sobre lavagem de dinheiro em leilões promovidos pelo empresário recai sobre as suas próprias marcas e movimentações financeiras paralelas (como a Leilo Marca), e não na estrutura histórica da Esteios de forma direta, a menos que avaliados contratos comerciais de compra e venda de gado realizados nela enquanto ele atuava como comprador ou fornecedor do mercado de corte.

A Operação “Rota do Fim” da Polícia Federal

A relação dessas empresas com o empresário mudou drasticamente de figura após a deflagração da Operação Rota do Fim pela Polícia Federal, em cooperação com a Receita Federal e o GAECO/MPAC.

  • A Acusação: A PF identificou que a cadeia produtiva da carne bovina operada pelo empresário no Acre — englobando a rede de distribuição, comércio de varejo (Rota do Boi), o frigorífico (Frigo Rota) e os leilões de gado — estava infiltrada por uma organização criminosa.

  • Lavagem de Dinheiro e Tráfico: Segundo nota técnica da PF, emitido ainda cedo, a estrutura econômica lícita da carne era utilizada para ocultar e legitimar recursos vindos do tráfico de entorpecentes de uma grande facção criminosa baseada no Rio de Janeiro. A investigação apontou que o grupo chegou a movimentar aproximadamente R$ 200 milhões em dinheiro de origem ilegal, misturado ao faturamento real obtido com a pecuária local. Como resultado direto da operação, Enielson Moraes de Souza foi preso preventivamente. Ele passará por audiência de custória nesta quinta-feira, podendo ser libertado com restrições impostas pelo juizo federal, ou continuar detido até julgamento ou possível soltura por habeas Corpus.

  • Outros cinco presos não tiveram s eus nomes divulgados.