Início / Versão completa
Destaque

Deputada Socorro Neri apresenta projeto de lei que autoriza segurança privada em escolas

Por REDAÇÃO 11/05/2026 11:11

Após o ataque a tiros no Instituto São José, em Rio Branco (AC), que deixou duas funcionárias mortas e dois feridos, a deputada federal Socorro Neri protocolou o Projeto de Lei nº 2285/2026, que autoriza Estados e o Distrito Federal a contratarem serviços de segurança privada para atuação em escolas públicas de educação básica.

Embora a tragédia ocorrida na capital acreana reforce a urgência do debate, a proposta é fruto de elaboração técnica anterior e busca oferecer uma resposta estrutural — e não reativa — ao problema da violência no ambiente escolar.

“O que aconteceu em Rio Branco é doloroso e exige resposta. Mas a violência nas escolas não é um fenômeno isolado nem recente, e as soluções não podem ser improvisadas. Esse projeto vinha sendo construído justamente para oferecer uma alternativa técnica, equilibrada e respeitosa à autonomia das comunidades escolares”, afirma a deputada, que é educadora de formação e foi gestora pública na área educacional.

A proposta apresenta uma alternativa equilibrada ao debate sobre violência escolar, ao condicionar a medida à solicitação da Secretaria de Educação, à concordância do Conselho Escolar e à avaliação técnica das Secretarias de Segurança Pública.

Também determina que todas as escolas elaborem um Plano de Prevenção e Proteção contra a Violência no Ambiente Escolar, construído com participação da comunidade escolar. O plano deverá incluir diagnóstico dos fatores de risco, medidas preventivas e educativas, protocolos para situações de risco, estratégias de acolhimento e articulação entre educação, segurança pública, assistência social e saúde. A eventual contratação de segurança privada só poderá ocorrer se estiver prevista nesse plano, como medida complementar às ações de prevenção, cultura de paz e proteção integral dos estudantes.

O projeto se diferencia de outras propostas em tramitação por três pontos centrais: não impõe a contratação de segurança armada de forma generalizada, exige formação específica dos profissionais em direitos da criança e mediação de conflitos, e indica o Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) como fonte preferencial e compatível para o custeio das ações, sem comprometer as políticas educacionais financiadas com recursos constitucionalmente vinculados à educação básica.

“A escola precisa ser ambiente seguro, mas também espaço de convivência democrática, acolhimento e aprendizagem. Por isso, medidas de reforço à segurança precisam ser adotadas com critério, proporcionalidade e participação da comunidade escolar”, complementa a parlamentar.

Pelo texto, a presença de segurança armada só será autorizada quando expressamente justificada em avaliação técnica, considerando o grau de risco da unidade, a faixa etária dos estudantes, a localização da escola, o histórico de ocorrências e a existência de outras medidas preventivas já adotadas. Fica vedada a adoção automática ou compulsória de segurança armada em todas as escolas públicas.

O PL também estabelece que os profissionais contratados deverão receber formação em direitos da criança e do adolescente, prevenção e mediação de conflitos, abordagem não violenta, proteção integral e atendimento humanizado. Os Estados e o Distrito Federal ficarão obrigados a instituir mecanismos de monitoramento, transparência e avaliação das ações implementadas, com manifestação periódica da comunidade escolar sobre a continuidade da medida.

Na justificação da proposta, a deputada ressalta que o financiamento da segurança escolar deve observar a natureza da despesa e a sustentabilidade das políticas educacionais, apontando o Fundo Nacional de Segurança Pública como instrumento mais compatível para apoiar ações especializadas de proteção no ambiente escolar.

O texto também preserva expressamente as políticas de prevenção à violência, cultura de paz, apoio psicossocial e articulação intersetorial entre educação, segurança pública, assistência social, saúde e sistema de garantia de direitos.

Recomendado
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.