Editorial: Jailson Correia, o prefeito vitimista que esqueceu Feijó para virar animador de palanque

A política acreana assiste, entre o espanto e a indignação, ao desdobramento de uma gestão em Feijó que parece ter trocado o gabinete administrativo pelas trincheiras do marketing eleitoral antecipado. O atual prefeito, Delegado Railson, em vez de focar nas soluções para uma cidade que clama por socorro, optou por vestir o figurino de “cabo eleitoral de luxo” do senador Alan Rick, submetendo a dignidade do cargo a interesses personalistas.

Enquanto o prefeito ensaia protestos performáticos na capital, a realidade em Feijó é de abandono. Em março de 2026, o Sindicato dos Médicos do Acre (Sindmed-AC) escancarou o caos: Unidades Básicas de Saúde (UBSs) desativadas, falta de profissionais e unidades mantidas pelo município operando sob sobrecarga desumana. Somado a isso, o colapso ambiental se impõe. Feijó decretou situação de emergência após a quarta enchente do ano, mas a resposta da prefeitura é a inércia diante do lixo acumulado e do descarte irregular de resíduos.

O Teatro do absurdo: do hospital ao Palácio Rio Branco

O histórico de encenações do prefeito é pedagógico. Recentemente, tentou sabotar a entrega da reforma do Hospital Geral de Feijó — uma obra executada pelo Governo do Estado — mobilizando grupos para um protesto vazio sobre emendas supostamente “desaparecidas”. A farsa ruiu quando a gestão Gladson/Mailza entregou a unidade em abril, provando que o trabalho supera o grito.

Agora, o prefeito ameaça acampar em frente ao Palácio Rio Branco. Alega falta de audiência com a governadora Mailza Assis para tratar de pontes e ramais. O gesto, contudo, cheira a desespero político e falta de técnica, honradez, humildade, vergonha.

Se houvesse intenção real de realizar obras, o prefeito saberia o caminho da AMAC (Associação dos Municípios do Acre), onde projetos gratuitos são elaborados para viabilizar convênios. Não há registros de projetos de Feijó sob análise da entidade. Onde não há projeto, não há recurso; onde não há técnica, sobra vitimismo.

Ao tentar imputar uma suposta “arrogância” à governadora Mailza — figura conhecida por sua postura humilde e conciliadora —, o prefeito não ataca apenas uma autoridade, mas a própria lógica da cooperação institucional. O objetivo é claro: criar um palanque para seu candidato ao governo, Alan Rick, utilizando o constrangimento público como ferramenta de pressão.

E pensar que o candidato se diz cristão, mantenedor da harmonia familiar, do respeito.

O Veredito das Urnas

O que se vê em Feijó é a “politicagem rasteira” em sua essência. O povo feijoense, isolado pelas águas e desassistido por seu representante, tornou-se refém de uma ambição desmedida com foco na ascensão social, política ou profissionalmente a qualquer custo, frequentemente utilizando meios desonestos, oportunistas ou imorais.

O prefeito reduziu-se à insignificância de um braço eleitoral, ignorando que o cargo que ocupa exige responsabilidade, ética e, sobretudo, respeito ao Erário e às instituições.

O Acre não comporta mais aventureiros que usam a máquina pública como trampolim. Que o exemplo de Feijó sirva de alerta: quem não sabe — ou não quer — governar para o povo, acaba por se tornar apenas uma nota de rodapé ruidosa na história política do estado. A governadora faz bem em focar nas entregas reais; ao prefeito, resta o isolamento de quem escolheu o barulho em vez do benefício público.

Railson faz uso uso da máquina pública para promoção de candidatura alheia. Se assume incompetente o suficiente quando não mostra projetos na AMAC, o que desmonta a narrativa de “perseguição”.

Vergonhoso!