Eleitor de Lula é mais decidido, diz CEO do Instituto Ideia à CNN
A CEO do Instituto Ideia, Cila Schulman, analisou nesta quarta-feira (6) os dados da pesquisa de intenção de voto do instituto referente ao mês de maio. Em entrevista ao CNN 360°, Schulman destacou que o eleitor de Lula (PT) tende a ser mais convicto em sua escolha, enquanto a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ainda está em processo de consolidação.
Segundo Schulman, a maior decisão do eleitorado de Lula se explica pelo longo histórico político do petista. “No caso de Lula, ele ocupa a mente do eleitor, é conhecidíssimo pelo eleitor desde a primeira eleição da redemocratização em 1989, já vai concorrer ao seu quarto mandato. Então, o eleitor que de fato quer votar em Lula é mais convicto, mais decidido mesmo”, afirmou. Para os demais candidatos, a especialista avalia que a campanha ainda está por começar.
Consolidação de Flávio Bolsonaro
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A CEO observou que a candidatura de Flávio Bolsonaro vem se consolidando à medida que absorve votos que antes eram destinados ao pai, Jair Bolsonaro. “A gente vê perfeitamente uma migração de votos de Jair para Flávio. Quando a gente olha a pesquisa espontânea, Jair Bolsonaro ainda tem 4% da preferência dos eleitores, mas esses votos devem migrar ainda mais para Flávio”, explicou. Schulman também ressaltou que a saída de Ratinho Júnior (PSD) do cenário eleitoral foi um fator relevante no período entre os dois últimos levantamentos.
Schulman ponderou, no entanto, que Flávio Bolsonaro ainda precisa se apresentar ao eleitorado. “Quando faço pesquisa qualitativa, vejo que o eleitor não sabe exatamente quem é o Flávio, exceto que ele é filho do Jair, então ele ainda vai ter que se apresentar”, disse. A especialista também mencionou que ex-governadores como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) não possuem o mesmo nível de reconhecimento que o sobrenome Bolsonaro.
Rejeição histórica no Senado e percepção pública
A pesquisa de maio também mediu a percepção da opinião pública sobre a rejeição, pelo Senado, de um nome indicado ao STF (Supremo Tribunal Federal) — fato que não ocorria desde 1894. Schulman destacou que mais de 58% dos entrevistados afirmaram ter tomado conhecimento do episódio. “As pessoas ficaram muito informadas. Minha visão é que, além da cobertura da imprensa, [o assunto] circulou muito em grupos de WhatsApp e nas redes sociais”, analisou.
A especialista avaliou que o tema do STF tende a estar presente na próxima eleição, especialmente nas disputas para o Senado. Apesar do alto nível de conhecimento sobre o fato, Schulman ponderou que eventos desse tipo não costumam gerar impacto eleitoral imediato. “Eu não diria que isso tenha um impacto eleitoral. Esses fatos políticos não causam um impacto eleitoral inicialmente”, afirmou.
Bets e endividamento na agenda eleitoral
Outro tema abordado na pesquisa foi a relação entre apostas esportivas online (bets) e endividamento. Schulman revelou que um em cada quatro brasileiros afirmou ter apostado em bets no mês da pesquisa. “Você tem ali um problema de saúde mental, de família, um problema moral e um problema financeiro, porque as pessoas já reconhecem que as bets e o endividamento estão interligados”, disse. A pesquisadora descreveu o fenômeno como um “círculo vicioso”, no qual a pessoa se endivida e recorre às apostas para tentar sair da dívida.
Schulman também apontou uma diferença de gênero no impacto das apostas: “São majoritariamente homens que apostam, mas quem tem a consequência disso são as mulheres, porque elas que têm que fechar o orçamento do final do mês”. A especialista avaliou que iniciativas do governo de Lula voltadas ao tema dialogam com esse eleitorado.
Eleição pode ser decidida no Sudeste
Questionada sobre o papel de Minas Gerais na próxima eleição, Schulman afirmou que a disputa deve ser decidida de forma mais ampla na região Sudeste. “Essa eleição, como foi a última, será novamente decidida no Sudeste, especialmente nas periferias dos grandes centros urbanos, do Rio de Janeiro, de São Paulo e de Belo Horizonte”, declarou. A pesquisadora classificou o pleito como potencialmente muito disputado, com uma disputa “voto a voto”.