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Eleitorado jovem pode ter menor participação desde 2014

Por CNN 11/05/2026 16:39 Atualizado em 11/05/2026 16:39

O eleitorado jovem pode registrar, neste ano, o menor patamar de participação desde 2014. O levantamento foi feito pela organização Girl Up, com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e considera adolescentes de 16 e 17 anos — faixa etária em que o voto é facultativo.

A estimativa da organização para maio é que o total de jovens nessa faixa etária que tiraram o título de eleitor chegue a 1.974.035.

Na série histórica das eleições presidenciais, 2014 registrou 2,32 milhões de alistamentos até maio. Em 2018, o total caiu para 2 milhões. Já em 2022, ano marcado pela forte polarização política e mobilização nas redes sociais, o número voltou a crescer e alcançou 2,5 milhões de títulos emitidos para adolescentes de 16 e 17 anos — o maior patamar entre os anos analisados.

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Segundo a diretora executiva da Girl Up, Letícia Bahia, a redução pode ser explicada pela ausência de uma mobilização pública como a observada em 2022, quando campanhas de incentivo ao voto ganharam força nas redes sociais com apoio de artistas e influenciadores.

“Foi um movimento muito horizontal, de jovem para jovem. Antes, essa comunicação ficava muito concentrada no TSE, que é uma voz difícil de chegar no jovem.”

A especialista também cita dificuldades práticas no processo de alistamento deste ano. Parte do procedimento exige etapa presencial, o que pode dificultar o acesso de adolescentes que vivem em municípios sem cartório eleitoral.

Hoje, os jovens representam pouco mais de 1% do eleitorado brasileiro, formado por cerca de 158 milhões de pessoas aptas a votar. Em 2022, a diferença entre Lula (PT) e Jair Bolsonaro foi de 1,8%, percentual próximo ao peso do eleitorado de 16 e 17 anos naquele pleito.

No governo, aliados do presidente Lula também admitem preocupação com o desempenho entre os mais jovens. Integrantes do Planalto apontam a nova etapa do Desenrola voltada ao Fies como uma tentativa de reaproximação com esse público.

Os dados do TSE apontam que o alistamento segue majoritariamente feminino. Até maio deste ano, foram pouco mais de 1 milhão de eleitoras jovens, frente a 957 mil homens.

Queda no alistamento acende alerta na direita

Partidos da direita avaliam que a redução no alistamento de adolescentes pode impactar estratégias eleitorais para 2026. A leitura é de que o campo conservador vinha ampliando presença entre eleitores mais jovens, especialmente entre homens adolescentes.

No PL, integrantes da legenda afirmam que a disputa digital pelo eleitorado jovem deve ganhar peso relevante na próxima eleição presidencial. Nas últimas semanas, o senador Flávio Bolsonaro publicou vídeos incentivando adolescentes de 16 e 17 anos a tirarem o título de eleitor.

A avaliação ocorre em meio a pesquisas recentes que apontam mudanças no perfil político desse eleitorado. Levantamento da AtlasIntel indicou desgaste do presidente Lula entre eleitores de 16 a 24 anos e aumento da identificação de jovens com pautas mais conservadoras.

Para Letícia Bahia, as diferenças entre jovens homens e mulheres também ajudam a explicar os impactos eleitorais desse grupo.

“Os meninos estão cada vez mais conservadores e as meninas, mais progressistas. Então faz menos sentido olhar para os jovens como um bloco único.”

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