Futuro do cessar-fogo pode depender do que acontecer em Ormuz nesta terça
O cessar-fogo com o Irã está em terreno instável em meio a prioridades aparentemente conflitantes entre linha-dura e moderados no país, e seu futuro pode depender do que acontecer no Estreito de Ormuz nesta terça-feira (5), relata Nic Robertson, editor de diplomacia internacional da CNN.
Segundo a análise de Robertson, as mensagens recentes de autoridades iranianas revelam um cenário contraditório.
O ministro das Relações Exteriores do Irã afirmou que não há solução militar para o conflito, ao mesmo tempo em que elogiou mediadores internacionais, como o Paquistão, e alertou que países como os EUA e os Emirados Árabes Unidos devem evitar se envolver ainda mais na crise.
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Apesar do discurso diplomático, o cenário no terreno aponta para uma escalada de tensão. Autoridades iranianas negaram envolvimento em ataques recentes que incluíram mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro e drones contra alvos nos Emirados Árabes Unidos, que deixaram feridos e atingiram infraestrutura energética.
Ao mesmo tempo, há relatos de que forças iranianas teriam tentado atingir embarcações no estratégico Estreito de Ormuz, enquanto navios americanos estariam envolvidos em ataques contra embarcações comerciais na região.
Esse ambiente de informações conflitantes reforça a percepção de uma disputa interna no Irã entre alas moderadas, que defendem a diplomacia, e setores mais duros, ligados à Guarda Revolucionária Islâmica.
De acordo com Robertson, embora o Ministério das Relações Exteriores em Teerã esteja trabalhando em respostas a propostas de paz reapresentadas pelos EUA, há sinais de que os linha-dura podem estar minando esses esforços.
“Os moderados estão fazendo sua parte, mas parece que os linha-dura estão sabotando tudo neste momento”, resume o analista.
O foco agora se volta para o que pode acontecer no Estreito de Ormuz nas próximas horas.
A continuidade de operações como o chamado “Projeto Liberdade”, voltado à retirada de embarcações civis presas na região, é vista como um ponto-chave para medir a disposição do Irã em manter a trégua.
Caso forças ligadas à Guarda Revolucionária tentem interferir nessas operações, o risco de novos confrontos aumenta significativamente. Por outro lado, uma postura mais contida poderia abrir espaço para a retomada de negociações diplomáticas.
Assim, o desfecho imediato da crise, e a sobrevivência do cessar-fogo, parece depender diretamente das decisões que serão tomadas no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o comércio global de energia.
Tensão em Ormuz
Os Estados Unidos e o Irã trocaram ataques no Estreito de Ormuz nesta segunda-feira (4), segundo o chefe militar americano, colocando o cessar-fogo entre os países em xeque mais uma vez.
De acordo com o almirante Bradley Cooper, chefe do Comando Central, o regime iraniano lançou “múltiplos mísseis de cruzeiro, drones e pequenas embarcações” contra navios da Marinha dos EUA e navios comerciais que estavam sendo protegidos pelos militares americanos.
Em resposta, os Estados Unidos disseram que “explodiram” pequenas embarcações iranianas. O presidente Donald Trump publicou nas redes sociais que sete barcos foram destruídos e que um navio da Coreia do Sul foi atingido pelos iranianos.
Isso acontece em meio a um impasse nas negociações para o fim da guerra e temores de que o conflito na região possa recomeçar.
Por que o Estreito de Ormuz é tão importante para a economia do mundo?
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