Glaucoma: o perigo que rouba a visão sem avisar e ainda pode ser evitado
Hoje em dia, ouvimos falar cada vez mais sobre o glaucoma – e isso não é por acaso. Trata-se da principal causa de cegueira irreversível evitável no Brasil. Em outras palavras, é uma doença que pode ser controlada e tratada a tempo, evitando a perda total da visão.
Isso é especialmente importante porque, uma vez instalada, a cegueira causada pelo glaucoma não tem reversão com os tratamentos disponíveis atualmente. Por isso, o mês de maio é o mês de conscientização sobre o glaucoma.
Por que o glaucoma é tão comum
Outro motivo para sua relevância é a frequência com que ocorre. Dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia mostram a dimensão desse problema: estima-se que mais de 1,7 milhão de brasileiros tenham glaucoma atualmente, número que tende a crescer nos próximos anos com o envelhecimento da população.
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A doença já afeta cerca de 2% das pessoas acima dos 40 anos e pode ultrapassar 6% após os 70. Ao mesmo tempo, iniciativas de diagnóstico e tratamento precoce já evitaram a cegueira em aproximadamente 300 mil brasileiros nos últimos cinco anos – um dado que reforça o impacto direto do acompanhamento adequado e a importância de identificar a doença antes que cause danos irreversíveis.
É muito comum que alguém tenha um familiar com glaucoma – um pai, uma tia, um avô. E isso não é coincidência: a história familiar é um dos principais fatores de risco.
O maior risco: ele não dá sinais
Mas o maior perigo do glaucoma está justamente no fato de que ele não dá sinais. Não provoca dor, não causa vermelhidão, não incomoda. A perda de visão acontece de forma lenta e progressiva. E, de maneira surpreendente, o paciente muitas vezes não percebe.
Pode parecer difícil de acreditar, mas é comum que a pessoa só note algo errado quando já perdeu completamente a visão de um dos olhos. Nessa fase, frequentemente, o outro olho também já está comprometido, tornando o impacto ainda mais dramático.
Diagnóstico e tratamento: o que realmente funciona
O diagnóstico do glaucoma é simples e depende principalmente da medição da pressão intraocular. Esse exame faz parte da consulta oftalmológica de rotina, é rápido, indolor e fundamental, especialmente a partir dos 40 anos de idade, quando o risco da doença aumenta.
Caso haja suspeita, o oftalmologista solicita exames complementares para confirmar o diagnóstico. E aqui vem uma boa notícia: o tratamento do glaucoma é eficaz. Ele pode ser feito com colírios ou, em alguns casos, com laser. A cirurgia é reservada para casos avançados da doença. O objetivo é reduzir a pressão dentro dos olhos e, assim, evitar a progressão da doença.
É importante entender que as fibras nervosas já danificadas não se recuperam. No entanto, o tratamento adequado consegue estabilizar o quadro e preservar a visão restante – o que faz toda a diferença na qualidade de vida do paciente.
Algumas pessoas têm maior risco de desenvolver glaucoma: aquelas com histórico familiar, pacientes com alta miopia, pessoas que já passaram por cirurgias oculares ou tiveram inflamações dentro do olho. Além disso, indivíduos da raça negra apresentam risco aumentado.
Por tudo isso, a mensagem é clara: consultar regularmente um oftalmologista é fundamental. Após os 40 anos, essa relação deve se tornar mais próxima. E, a partir dos 60, a recomendação é uma avaliação anual, assim como já fazemos com outras especialidades médicas importantes.
A visão é essencial para nossa autonomia, para o convívio social, para o prazer de viver. Cuidar da saúde dos olhos é um gesto simples, mas que pode ter um impacto enorme ao longo da vida.
Medir a pressão ocular regularmente pode ser, literalmente, um dos melhores investimentos na sua qualidade de vida no futuro.
*Texto escrito por Rubens Belfort Neto, médico oftalmologista pela Escola Paulista de Medicina, especialista em retina e oncologia ocular