O SGB (Serviço Geológico do Brasil) identificou concentrações expressivas de terras raras em áreas de São Paulo, Paraná e Santa Catarina e vai ampliar, ainda neste ano, as pesquisas de campo nas regiões.
Em entrevista à CNN, o diretor de Geologia e Recursos Minerais do SGB, Francisco Valdir Silveira, afirmou que os resultados obtidos na região reforçam o potencial já apontado por levantamentos anteriores da estatal.
Segundo ele, em algumas amostras coletadas em campo nos três estados, os técnicos encontraram concentrações de terras raras acima de 8.000 partes por milhão. Na prática, isso significa que, a cada 1 milhão de partes analisadas da amostra, mais de 8.000 correspondiam a elementos terras raras. O patamar é considerado expressivo para uma amostra de campo e ajuda a confirmar o potencial geológico da região.
A medição é feita pelo indicador TREE, sigla usada para representar o teor total de elementos de terras raras presentes em uma amostra.
“Os resultados obtidos no Vale do Ribeira apenas reforçam e confirmam o elevado potencial já esperado para a região, previamente indicado pelos estudos regionais conduzidos pelo SGB no âmbito do projeto de avaliação do potencial de elementos terras raras no Brasil, área Faixas Ribeira”, afirmou Silveira.
O levantamento faz parte do projeto “Avaliação do Potencial de Terras Raras no Brasil Etapa São Paulo e Paraná”, conduzido pelo SGB.
As atividades abrangeram os municípios de Itupeva, Alumínio, Morungaba, Capão Bonito, Juquiá, Jacupiranga, Cajati, Itapirapuã Paulista e Cananéia, em São Paulo; Cerro Azul, Castro, Carambeí e Tijucas do Sul, no Paraná; além de Joinville e Garuva, em Santa Catarina.
De acordo com o SGB, a escolha dessas áreas foi feita a partir do “Mapa do Potencial de Elementos Terras Raras na Faixa Ribeira e na Faixa Brasília meridional”. O levantamento, elaborado em escala regional, indicou setores mais favoráveis à ocorrência desses minerais.
Com base nesse mapeamento, o órgão selecionou áreas prioritárias para estudos mais detalhados. O trabalho inclui coleta de amostras de solo e rocha, reprocessamento e interpretação de dados geofísicos e geoquímicos.
Segundo Silveira, essas ferramentas são fundamentais para a prospecção mineral, porque ajudam a reduzir incertezas geológicas e a orientar futuras etapas de pesquisa.
A próxima fase de campo deve ocorrer ainda neste ano e incluirá, entre outros, os municípios de Sete Barras, Tapiraí, Piedade e Natividade da Serra, em São Paulo.
Apesar dos resultados positivos, o avanço das pesquisas não significa que haja, hoje, uma jazida economicamente viável ou um projeto de mineração pronto para sair do papel.
Trata-se de uma etapa inicial de geração de conhecimento geológico, com caráter pré-competitivo.
Na prática, o SGB não atua como empresa mineradora. Seu papel é produzir informações geológicas básicas, reduzir incertezas e oferecer subsídios técnicos para o planejamento público e para futuras decisões do setor mineral.
Esse tipo de levantamento pode, no futuro, ajudar empresas, universidades, governos estaduais e órgãos reguladores a identificar regiões com maior potencial para pesquisa mineral.
Mas a transformação de uma área promissora em uma operação comercial depende de uma cadeia longa de etapas: pesquisa detalhada, definição de recursos e reservas, licenciamento ambiental, financiamento, engenharia, viabilidade econômica e, eventualmente, construção da mina e das estruturas de processamento.
As terras raras são consideradas estratégicas por sua aplicação em tecnologias ligadas à transição energética, à indústria de defesa e à eletrificação. Esses elementos são usados, por exemplo, em ímãs permanentes, carros elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e sistemas de alta tecnologia.
O Brasil é frequentemente citado como um país com elevado potencial geológico para terras raras, mas ainda tem poucos projetos em estágio avançado de desenvolvimento.
O principal desafio é transformar esse potencial em uma cadeia produtiva real, com pesquisa mineral, beneficiamento, separação, refino e produção de insumos de maior valor agregado.
Hoje, a maior parte da cadeia global de separação e processamento de terras raras segue concentrada na China, o que tem levado governos e empresas a buscar novas fontes de fornecimento fora do país asiático.
Nesse contexto, o mapeamento conduzido pelo SGB entra no primeiro elo da cadeia: a geração de informação geológica.
A avaliação não substitui a pesquisa mineral feita por empresas, mas reduz o risco inicial de exploração e ajudar a direcionar investimentos para áreas com maior probabilidade de ocorrência.
Ao longo deste ano e do próximo, o SGB prevê disponibilizar novos produtos técnicos e informes relacionados ao projeto.