A Secretaria de Estado da Saúde do Paraná informou a confirmação de dois casos de hantavírus no estado, além de 21 notificações que já foram descartadas, enquanto outras 11 ainda estão sob análise das autoridades sanitárias. Veja abaixo quais são os riscos da doença e como se prevenir.
Segundo o médico infectologista da Unesp, Alexandre Naime, o hantavírus pode provocar duas síndromes principais: a síndrome cardiopulmonar, mais comum nas Américas, e a febre hemorrágica com síndrome renal, predominante na Europa e na Ásia.
Quais os riscos?
Na variante encontrada nas Américas, o vírus compromete os pulmões e o coração. Os pacientes podem apresentar dificuldade respiratória intensa, insuficiência respiratória e falência cardíaca. “O coração vai ficando cada vez mais fraco e com dificuldade de bombear o sangue”, explica Naime à CNN Brasil.
Já nas variantes europeia e asiática, além de febre alta, dores no corpo, prostração e mal-estar, há risco de hemorragias e insuficiência renal. Os sangramentos podem ocorrer pelo nariz, olhos, boca e trato digestivo, incluindo episódios de vômito com sangue.
De acordo com o infectologista, ambas as formas da doença têm alta taxa de mortalidade. Sem suporte médico intensivo, os índices podem chegar a 80% ou 90%. Mesmo com tratamento em UTI, a mortalidade permanece elevada, em torno de 40% nos casos pulmonares e entre 38% e 40% nas formas hemorrágicas renais.
Atualmente, não existe antiviral específico contra o hantavírus. O tratamento é baseado em medidas de suporte intensivo, como ventilação mecânica para pacientes com insuficiência respiratória, medicamentos para auxiliar a função cardíaca e controle de hemorragias.
“O objetivo é dar suporte ao organismo para que ele consiga superar os danos causados pelo vírus e pela resposta inflamatória”, afirma Naime.
Os sintomas iniciais incluem febre, dores pelo corpo, mal-estar, náuseas e vômitos. Em casos mais graves, podem surgir falta de ar, sangramentos e falência de órgãos.
Apesar da gravidade, o especialista destaca que o hantavírus não possui alto potencial de disseminação global, diferentemente de doenças respiratórias como Covid-19 e influenza.
A transmissão ocorre principalmente pelo contato com partículas contaminadas por urina, fezes ou saliva de roedores, que podem ser inaladas em ambientes fechados e pouco ventilados.
Como prevenir?
Segundo Naime, surtos costumam estar associados à presença de ratos em locais confinados, como galpões, depósitos, porões e embarcações. No caso investigado em um cruzeiro marítimo, uma das hipóteses é a contaminação em áreas fechadas do navio frequentadas por roedores.
Para prevenir a doença, especialistas recomendam evitar contato com fezes e urina de ratos, manter ambientes limpos e ventilados, vedar frestas e controlar a presença de roedores.
Na limpeza de locais fechados ou abandonados, é indicado utilizar máscara, luvas e produtos desinfetantes, evitando varrer ou levantar poeira, o que pode facilitar a inalação de partículas contaminadas.
As autoridades de saúde também orientam que ambientes suspeitos sejam desratizados e investigados rapidamente para impedir novas infecções.
O estado paranaense monitora continuamente os casos de hantavirose e afirmou que a doença segue controlada no estado.