A decisão de centralizar as agendas no interior do estado em torno de uma figura de projeção nacional, como Nikolas Ferreira, evidencia a tática rasteira do senador Márcio Bittar voltada para a captação do eleitorado ideológico de direita. No entanto, ele, o senador, fez questão de excluir outros políticos e lideranças bolsonaristas locais nesses eventos, pelo interior – o que implode, de novo, a suposta unidade do movimento conservador no Acre.
A exclusão de atores regionais que compartilham da mesma base ideológica pode ser interpretada de duas formas: uma tentativa de nichar o protagonismo e associar a imagem do parlamentar mineiro diretamente à candidatura de reeleição do senador e do seu filho, João Paulo Bittar, colocado ao lado em todas as imagens e vídeos sempre gravados em ambientes fechados ou ao redor dos apoiadores que o carcam, sem a presença de pessoas do povo, das periferias. A estratégia é impulsionar em reels e outras produções nas plataformas digitais, a fim de gerar a impressão de prestígio, status – o que, na prática, não se concretiza.
O isolamento de outros aliados locais, de forma pensada, premeditada pelo senador, deve gerar desgastes para ele próprio. Não que estar com Nikolas engrandeça o legado político de alguém, mas o desprezo sujeita Márcio Bittar a perder qualquer suposto apoio que ele possua de deputados estaduais, federais e vereadores do Acre, num momento onde a coesão partidária costuma ser decisiva para o êxito nas urnas.
Um dos pontos centrais de questionamento em agendas dessa natureza reside na contraposição entre o capital político digital e as demandas estruturais do estado.
Enquanto figuras de destaque nacional mobilizam as redes sociais e atraem simpatizantes, o eleitorado acreano historicamente pondera o retorno prático dessas alianças em áreas essenciais como saúde, educação, segurança e assistência social.
Nikolas é criticado por jamais ter destinados emendas ou recursos ao estado ao Acre – um argumento recorrente no debate público, pressionando as lideranças locais a justificarem a relevância de tais parcerias para além do ganho simbólico.
Projetos Familiares e o Julgamento Popular
A história recente da política acreana demonstra que o eleitor tem se mostrado atento a projetos de poder que priorizam núcleos familiares. Candidaturas anteriores que não obtiveram o êxito esperado nas urnas servem como um termômetro de que o favoritismo não se herda, mas se constrói por meio de densidade política e serviços prestados.
A tentativa de impulsionar novas candidaturas dentro do mesmo grupo familiar, especialmente após reveses em pleitos municipais ou majoritários anteriores (JP Bittar foi derrotado para vereador de Rio Branco) , coloca à prova a capacidade de renovação e de convencimento do eleitorado, que tende a cobrar maior representatividade e abertura dos partidos.
A restrição ao acesso da imprensa e a blindagem de Nikolas durante agendas públicas são práticas que frequentemente geram desgaste na imagem de homens públicos. Evita-se questionamentos ao deputado mineiro sobre a relação de Flávio Bolsonaro, presidenciável de Direita, com o banqiueiro Daniel Vorcaro, sobre o financiamento ao filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro com dinheiro ilícito.
O recolhimento a ambientes fechados e o foco exclusivo na produção de conteúdo para redes sociais podem afastar o diálogo com os setores mais amplos da sociedade, limitando a mensagem apenas àqueles que já estão convertidos à bolha ideológica.
As urnas, soberanas em seu veredicto, costumam emitir sinais claros sobre o rumo que a sociedade deseja tomar. O equilíbrio entre o alinhamento ideológico nacional, o respeito às lideranças locais e a entrega de resultados concretos para a população do Acre será, fundamentalmente, o principal critério de avaliação dos cidadãos no momento do voto.
Bittar tenta a fracassar.