Vivemos um paradoxo perigoso. Enquanto os grupos de WhatsApp fervem com figurinhas de apoio, elogios mútuos e uma bajulação que beira o messianismo, as esquinas das cidades revelam um silêncio preocupante. A direita no Acre, outrora vibrante e combativa, parece ter trocado a sola do sapato pelo conforto do ar-condicionado e a ilusão da “máquina pública”.
A Ilusão da Máquina e o Fantasma do “Já Ganhou”
Existe um erro histórico, cometido repetidamente por grupos que detêm o poder: acreditar que a estrutura administrativa, por si só, converte o eleitor indeciso. É um ledo engano. A máquina pública pode dar visibilidade, mas quem dá a vitória é o convencimento olho no olho.
O que se vê hoje é uma militância de cargos comissionados que se limita a “curtir” postagens oficiais, esquecendo-se de que o legado de nomes como Gladson Cameli e a gestão da governadora Mailza não se defendem sozinhos em bolhas digitais.
- O Legado Esquecido: O trabalho realizado precisa de porta-vozes, não de espectadores.
- A Bolha do WhatsApp: Grupos de mensagens servem para organizar a tropa, não para vencer a guerra. Pregar para convertidos é um exercício de vaidade, não de estratégia.
O cenário atual é povoado por figuras que ostentam uma proximidade com o poder que, na prática, não se traduz em um único voto novo. São os “generais de grupo de zap”, indivíduos mais preocupados em garantir o seu próprio espaço e bajular autoridades do que em gastar sola de sapato nos bairros periféricos e no interior.
Essa ostentação de importância é um câncer para qualquer campanha. Enquanto esses atores disputam quem é mais amigo do governador ou da governadora, o eleitor indeciso — aquele que realmente decide o pleito — permanece sem ser ouvido e sem ser convencido.
Desastre anunciado
Se não entenderem que a eleição se ganha na poeira, no sol e na capacidade de multiplicar alianças reais, o resultado será um desastre eleitoral de proporções históricas.
-
- Multiplicar é Preciso: Não basta manter o voto que já se tem; é preciso buscar o vizinho, o parente e o descrente.
- Sair do Casulo: A militância precisa abandonar a proteção das telas e retomar o corpo a corpo.
- Fim da Bajulação: É hora de trocar o elogio vazio pela crítica construtiva e pela ação prática.
”A política não tolera o vácuo. Se a direita se recusa a ocupar as ruas por acreditar que a eleição está ganha, a oposição o fará, transformando a apatia dos governistas em combustível para a derrota.”
O aviso está dado. O tempo de postar selfies em gabinetes acabou; ou a militância sai do WhatsApp e vai para a rua, ou o “legado” que tanto dizem defender será apenas uma página virada nos livros de história, escrita por aqueles que souberam lutar quando os outros preferiram apenas digitar abobrinhas.