A Loovi, seguradora baseada em tecnologia, tem como meta figurar entre as cinco maiores seguradoras do Brasil até 2030. Em entrevista, Quézide Cunha, CEO da companhia, detalhou o modelo de negócios da empresa, que aposta na combinação entre tecnologia e múltiplos canais de distribuição para alcançar públicos historicamente negligenciados pelo mercado tradicional de seguros.
Cunha destacou que o Brasil está atrás de outros países da América Latina em cultura de seguros, e que 73% dos automóveis que circulam no país não possuem cobertura. Segundo ele, boa parte dessa realidade se deve ao custo elevado dos produtos disponíveis no mercado.
“O brasileiro já tem essa consciência do risco de rodar com o carro, o carro poder ser roubado, uma colisão”, afirmou. “O que a gente faz é levar essa facilidade de um pagamento facilitado, onde ele coloca o cartão de crédito e paga mês a mês, sem tomar o limite dele.”
A empresa afirma oferecer produtos com preços entre 40% e 50% mais baratos do que os praticados pelo mercado tradicional. Cunha explicou que esse diferencial é possível graças à eficiência gerada pela tecnologia de rastreamento, que a Loovi desenvolveu antes mesmo de se tornar uma seguradora.
“Se eu recupero mais, eu tenho mais eficiência. Se eu tenho mais eficiência, eu posso colocar um produto mais barato para o mercado”, disse.
Modelo multicanal e o “Executivo Loovi”
A estratégia de distribuição da Loovi combina corretores tradicionais, plataforma 100% online, influenciadores digitais — entre eles Neymar, citado por Cunha como embaixador da marca — e um canal próprio chamado “Executivo Loovi”.
Nesse modelo, vendedores sem experiência no setor de seguros recebem treinamento por meio de uma escola de ensino a distância e, em cerca de três meses, estão aptos a comercializar os produtos da empresa.
Cunha afirmou que a tecnologia permitiu à Loovi alcançar mais de 4 mil municípios e todos os estados da federação.
O executivo contou que passou um ano na China para adaptar o modelo ao mercado brasileiro, processo que ele chamou de “tropicalização”. A abordagem multicanal foi adotada como filosofia central da companhia, com foco em atender motoristas de aplicativo, pequenos comerciantes e moradores de regiões periféricas.
A Loovi também afirma conseguir segurar veículos que o mercado tradicional costuma rejeitar, como carros rebaixados e oriundos de leilão.
Licença plena concedida pela Susep
Ao final da entrevista, Quézide Cunha anunciou uma novidade: a Loovi acaba de ser aprovada para operar com licença plena pela Susep, órgão regulador do setor de seguros no Brasil. Até então, a empresa operava no modelo sandbox regulatório, que permite a novos entrantes testar soluções inovadoras por um período determinado.
“A gente acabou de passar por esses três anos e ser aprovado para ser uma licença plena”, afirmou Cunha.
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