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Potencial pandêmico do Ebola é diferente da Covid-19, diz infectologista

Por CNN 30/05/2026 18:39 Atualizado em 30/05/2026 18:39

A infectologista Giovanna Marssola, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, afirmou, em entrevista à CNN Brasil, que o potencial pandêmico do ebola é distinto do observado na Covid-19. Segundo ela, as características de transmissão da doença tornam o controle epidemiológico mais viável do que foi durante a pandemia de coronavírus.

Um dos principais fatores que diferenciam o ebola da Covid-19, de acordo com Marssola, é a forma de contágio.

“O ebola não tem uma transmissão respiratória como o coronavírus”, afirmou a especialista. “A transmissão do ebola é por contato com fluidos de um indivíduo infectado”, como vômito e sangue. Isso reduz significativamente a chance de que a doença se espalhe em ambientes como aviões, onde, no caso do coronavírus, a troca de ar limitada favorecia a contaminação.

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Outro ponto destacado por Marssola é que, no ebola, o paciente só transmite a doença a partir do momento em que apresenta sintomas, ao contrário do que ocorria com a Covid-19.

“Os pacientes com Covid transmitiam a doença antes de iniciar os sintomas, no que a gente chama de período de incubação. Já no ebola não é assim”, explicou. Essa característica permite que as autoridades de saúde rastreiem e isolem os casos com mais agilidade, reduzindo o risco de transmissão encadeada.

Casos suspeitos devem ser notificados à Vigilância Epidemiológica

Marssola ressaltou que, apesar de o ebola ser uma doença de alta letalidade, as medidas de vigilância estão sendo implementadas em tempo hábil. “Todo caso suspeito deve ser prontamente notificado para a Vigilância Epidemiológica, para que todas as medidas sejam implementadas de maneira eficaz”, disse.

Em São Paulo, os casos suspeitos são encaminhados ao Instituto Emílio Ribas, que está preparado para recebê-los, minimizando riscos de transmissão, inclusive para os profissionais de saúde.

Os exames coletados no Instituto Emílio Ribas são enviados ao Instituto Adolfo Lutz para confirmação do diagnóstico, processo que leva alguns dias. Em paralelo, outras doenças são investigadas, uma vez que sintomas como febre e dor de cabeça também podem indicar condições distintas.

“Várias outras doenças dão febre e dor de cabeça. Então, enquanto o exame de ebola não sai, outras doenças são investigadas. Malária é uma delas”, pontuou Marssola.

Prevenção passa por evitar regiões com transmissão ativa

Quanto à prevenção, a especialista orientou que a principal medida é evitar o contato com casos suspeitos e, na medida do possível, não frequentar as regiões onde a doença está ativa. Segundo ela, os casos suspeitos estão concentrados na República Democrática do Congo e em Uganda, país que faz fronteira com o Congo.

“Não temos ainda relato de transmissão em outras áreas”, afirmou. No Brasil, o caso investigado à época da entrevista era o primeiro suspeito registrado no país, sem confirmação, e teria sido adquirido fora do território nacional.

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