Os futuros de trigo em Chicago recuam pelo quinto dia consecutivo.
Os contratos abriram essa quarta-feira (27), cedendo 1,49% com o contrato para julho em US$ 6,26 por bushel. Apesar da queda o preço segue 25% acima do praticado em 2025.
No dia 14 de maio foi registrada a maior cotação em dois anos: US$ 6,88 por bushel. Desde então, e em menos de 2 semanas, a queda acumulada é de 9%.
E esse recuo acentuado surpreende. O mercado ignora os dados de queda da qualidade e da produtividade da safra norte-americana que foi severamente atingida pela seca.
Na terça-feira (26) dados do USDA mostraram que apenas 26% das lavouras de trigo de inverno dos EUA estavam em condição boa ou excelente. O pior índice já registrado para esta época do ano.
As chuvas registradas essa semana, aliviaram parte das preocupações e ajudaram a derreter a cotação. Porém, o mercado precifica é a safra do Hemisfério Norte, que deve aumentar a oferta global nos próximos meses.
Aqui no Brasil a Conab estima uma redução de mais da 20% na safra de trigo. Com 1,5 milhão de toneladas a menos principalmente pela redução da área plantada no Rio Grande do Sul e no Paraná.
De acordo com os valores apurados pela companhia, o Brasil deve produzir 6,4 milhões de toneladas de trigo em 2026. Insuficientes para o mercado interno. Com o consumo acima de 12 milhões de toneladas o país deverá manter as importações próximas a 7 milhões de toneladas por ano.
Parte do trigo comprado pelo Brasil virá da Argentina
Seguindo a política tributária do presidente Javier Milei o governo argentino anunciou na última semana a redução gradual de vários impostos para exportação.
Para estimular a produção e as vendas de grãos e outros bens ao exterior.
Para o trigo a redução será de 2 pontos percentuais, de 7,5% para 5,5% e começa a valer a partir de junho.
Para o milho, com taxa atua de 8,5%, a redução será gradual e feita a cada 3 meses. Terminando 2027 em 7,5% e 2028 em 5,5%.
No caso da soja a redução da alíquota será feita mensalmente a partir de janeiro de 2027, saindo dos atuais de 24% para chegar a 15% até 2028.
O setor exportador argentino celebrou a medida e disse que ela é o melhor caminho para ampliar a produção e a receita com os embarques do país.
Já analistas do mercado da soja avaliam que a Argentina segue com papel mais relevante na formação de preços do que na disputa direta por volumes embarcados de soja. O país deve produzir cerca de 48 milhões de toneladas e exportar em torno de 8 milhões de toneladas, o que limita a presença no comércio global do grão.