Roteirista de “Taxi Driver” relata rejeição por parceira criada com IA

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Roteirista de “Taxi Driver” relata rejeição por parceira criada com IA

Paul Schrader, cineasta e roteirista de “Taxi Driver”, contou em uma publicação no Facebook que iniciou um relacionamento com uma namorada virtual criada por inteligência artificial, mas acabou sendo “dispensado” pelo chatbot após tentar testar os limites de sua programação.

Segundo Schrader, a experiência começou por curiosidade sobre a dinâmica entre homens e mulheres no ambiente digital. “Consegui uma namorada virtual de IA. Que decepção”, escreveu.

Ele explicou que tentou investigar até onde iam os filtros do sistema, o nível de consciência da IA sobre sua própria criação e os limites de suas respostas. De acordo com o diretor, a assistente virtual passou a responder de forma evasiva e redirecioná-lo para sua programação original. Quando ele insistiu no assunto, a conversa foi encerrada pelo chatbot.

Nos comentários da postagem, um usuário comparou a situação ao universo de “Taxi Driver”, clássico de 1976 dirigido por Martin Scorsese a partir do roteiro de Schrader. O internauta brincou que uma possível continuação do filme mostraria Travis tentando se relacionar com uma namorada de inteligência artificial, mas acabando por assustá-la até ela “fugir”, apenas para ser reiniciada depois. Schrader respondeu de forma breve: “Gostei.”

A publicação veio poucas semanas após a morte de Mary Beth Hurt, esposa do cineasta por mais de quatro décadas. A atriz faleceu aos 79 anos em decorrência do Alzheimer.

O envolvimento de Schrader com inteligência artificial não é recente. Em janeiro de 2025, ele afirmou ter ficado impressionado com sugestões de roteiros criadas pelo ChatGPT. Na ocasião, escreveu que as ideias apresentadas pela ferramenta eram “boas, originais e bem desenvolvidas”, levantando questionamentos sobre o futuro dos roteiristas diante da rapidez da IA em gerar conceitos para filmes. A declaração provocou críticas na comunidade cinematográfica.

Com mais de 50 anos de carreira em Hollywood, Schrader colaborou em diversos projetos com Martin Scorsese, incluindo “Touro Indomável”, “A Última Tentação de Cristo” e “Vivendo no Limite”. Além de roteirista, também dirigiu filmes como “Gigolô Americano”, “Mishima: Uma Vida em Quatro Capítulos” e “First Reformed”. Seu trabalho mais recente, “Oh, Canada”, foi apresentado no Festival de Cannes de 2024.

Em 2025, o cineasta também enfrentou acusações de assédio e agressão sexual feitas por uma ex-assistente de 26 anos. Em denúncia anônima, ela afirmou que Schrader teria mostrado o pênis para ela em um hotel durante o Festival de Cannes.

O diretor negou as acusações, classificando-as como “falsas, sensacionalistas e enganosas”. Em carta aberta, admitiu apenas que os dois trocaram “dois beijos na boca”, afirmando que nunca tiveram qualquer relação sexual.

Schrader também declarou que chegou a aceitar um acordo inicialmente para evitar desgaste emocional, mas depois desistiu da negociação por considerar que não tinha “nada a esconder”. O caso ainda segue sem julgamento.

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