Setor de mel indica cunho político em veto da UE ao Brasil
A União Europeia excluiu o Brasil da lista de países aptos a exportar mel para o bloco e representantes do setor indicam que a decisão não possui base técnica, uma vez que o produto brasileiro atende ao padrão internacional. A relação foi publicada nesta terça-feira (12) e o comunicado já foi feito ao Mapa (Ministério da Agricultura). De acordo com o documento, os embarques ficam impedidos a partir de 3 de setembro.
Renato Azevedo, presidente da Abemel, Associação Brasileira dos Exportadores de Mel, destaca que ainda é preciso ter clareza sobre a decisão que, segundo ele, teria cunho político, visto as manifestações de agricultores europeus contra o acordo de livre comércio entre os blocos economicos. “A questão sanitária não é justificativa para impedir o comércio de mel, o impedimento da exportação não nos preocupa do ponto de vista técnico, pois estamos muito seguros com relação a qualidade do nosso produto”, disse à CNN Brasil.
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Renato confirmou que o Ministério da Agricultura estabeleceu um gabinete de crise com a União Europeia para solucionar a questão. “Estamos em contato com o ministério que confirmou um gabinete de crise para resolver essa situação, no caso do mel, as certificações orgânicas falam por sim e não nos preocupam com relação a questões sanitárias”, ressaltou.
As exportações de mel para a União Europeia não são tão significativas quanto os embarques para os EUA, que consolidam 80% dos envios brasileiros. Nesse contexto, a abertura de novos mercados é um ponto relevante para o setor. “Já passamos pelo tarifaço de Trump então é importante abrirmos esse mercado com o continente europeu. Somos o principal fornecedor de mel orgânico do mel do mundo e portanto, precisamos manter um diferencial competitivo no mercado internacional”, destacou o presidente.
Os Estados Unidos são o principal destino do mel produzido no Brasil e consolidam 85% do mel exportado pelo país. A produção doméstica, em grande parte exportada, possui a concorrência de mercados como a Índia, que também negocia o mel orgânico.
O mel estava na lista de setores não contemplados pelo alívio tarifário durante a redução de tarifas anunciada pelo presidente americano, Donald Trump. Desde então, o setor busca resistir à concorrência e queda da demanda de clientes. Desde então o setor busca diversificar destinos, enquanto itens como café e carne bovina tiveram reduções de tarifas para 40% e posteriormente 10%, o mel persistiu em 50% das tarifas recíprocas.