Sobrevivente de caverna no Laos relata saída à CNN: “Coragem veio do medo”

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Sobrevivente de caverna no Laos relata saída à CNN: “Coragem veio do medo”

Famintos e fracos, os sobreviventes da caverna no Laos permaneceram amontoados na escuridão úmida por 11 dias, agarrando-se à esperança enquanto uma parede de água bloqueava sua saída.

Ao perceberem que a água finalmente começava a baixar, eles encontraram forças para tentar uma fuga ousada, completamente sem ajuda – surpreendendo a equipe de resgate que apareceu na entrada da caverna no sábado (30).

A coragem deles nasceu do medo, disse um dos sobreviventes à CNN em entrevista exclusiva.

Por meio de túneis estreitos e traiçoeiros, alguns alagados e frios o suficiente para exigirem roupas de mergulho, outros tão apertados que o oxigênio era escasso, os homens percorreram 260 metros, da câmara em que estavam presos até a entrada da caverna, uma distância equivalente à altura de um prédio de 78 andares.

Um dos membros do grupo, que havia entrado na caverna em busca de ouro, foi resgatado por uma equipe multinacional de especialistas em cavernas, utilizando equipamentos de mergulho, um dia antes. Os outros quatro foram deixados à espera de condições mais seguras.

“Eu estava com medo porque estávamos lá sozinhos”, disse Mee Singfamalai, um barbeiro de 23 anos, à CNN do Hospital Long Tieng, onde está se recuperando.

“Estávamos lá há muito tempo e a água tinha secado. Estava muito frio lá dentro, então decidimos rastejar para fora”, disse Mee.

Em alguns trechos da caverna, a água chegava a ter pelo menos um metro de profundidade.

“Às vezes tínhamos que mergulhar, às vezes tínhamos que rastejar. Rastejávamos lentamente. A passagem tinha aproximadamente o tamanho de uma pessoa”, revelou.

Os socorristas chegaram ao grupo de cinco pessoas na quarta-feira (27), uma semana inteira depois de eles terem entrado na caverna e ficado presos quando uma forte chuva caiu na selva do lado de fora, durante o úmido verão laosiano.

Exaustos e sobrevivendo apenas com água, eles dormiam o máximo que podiam e rezavam para que a salvação chegasse.

“Dormimos abraçados. Quatro ou cinco de nós”, disse ele. “Ajudou muito. Não tínhamos cobertores.”

E eles se agarravam à esperança de reencontrar seus entes queridos para se distraírem da fome.

“Eu sempre acreditei que sobreviveria. Eu precisava voltar para ver minhas irmãs e minha mãe”, disse Mee. “Quando saímos e vimos as pessoas nos aplaudindo, senti como se tivesse ganhado uma nova vida. Foi emocionante. De repente, senti esperança.”

Essa provação torturante marcou a primeira vez que Mee entrou nessa caverna, localizada no sopé de um projeto de mineração perto da vila de Long Tieng, a horas de distância das cidades mais próximas e em estradas lamacentas castigadas pela estação chuvosa.

Nos últimos anos, uma economia informal de mineração expandiu-se por partes do Laos, particularmente em regiões remotas de calcário e bacias hidrográficas, onde os meios de subsistência formais são escassos e a fiscalização é limitada.

Tendo encontrado ouro em outro lugar anteriormente, Mee e seus amigos decidiram tentar a sorte na caverna, na esperança de ganhar algum dinheiro.

“Somos aldeões. Vamos para as montanhas para ganhar a vida. Ouvimos dizer que havia ouro, então fomos procurá-lo. Mas a caverna inundou e não conseguimos sair.”

Mee disse que era grato a “todos que o ajudaram a sobreviver”.

Um enorme esforço de resgate foi mobilizado para salvar os homens, envolvendo mergulhadores de todo o mundo, grandes bombas para drenar a água da caverna e máquinas pesadas para abrir estradas improvisadas até o local remoto.

Questionado se voltaria a entrar na caverna, Mee respondeu: “Nunca.”

“Vocês teriam que me mandar para a morte se quisessem me obrigar a entrar”, acrescentou ele.

Nenhum dos moradores da vila tinha experiência prévia em mergulho, mas se viram diante da terrível realidade de sair de um labirinto subterrâneo inundado.


Nesta imagem fornecida pela Unidade de Resgate Metta Tham Kalasin, mergulhadores especializados trabalham para resgatar um grupo de sete cidadãos laosianos presos em uma caverna em 29 de maio de 2026 em Xaisomboun, Laos.
Nesta imagem fornecida pela Unidade de Resgate Metta Tham Kalasin, mergulhadores especializados trabalham para resgatar um grupo de sete cidadãos laosianos presos em uma caverna em 29 de maio de 2026 em Xaisomboun, Laos. • Metta Tham Kalasin Rescue Unit via Getty Images

Lam, outro sobrevivente que conseguiu sair em segurança, disse que ser libertado da caverna foi “como receber uma segunda chance na vida”.

“A pobreza é assustadora. É por isso que lutamos tanto para sobreviver e continuar”, disse ele em uma publicação nas redes sociais.

Ao sair da caverna, a primeira coisa que Mee comeu foi congee, um mingau de arroz salgado típico da culinária asiática. Ele ainda só consegue ingerir alimentos macios enquanto se recupera no hospital.

Outros dois homens do grupo ficaram feridos e apresentavam dores e inflamação no lado direito, disse Mee, acrescentando que o quadro deles melhorou com a medicação.