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Vigorexia: entenda quando obsessão por músculos pode ser distúrbio

Por CNN 14/05/2026 04:39 Atualizado em 14/05/2026 04:39

A busca pelo corpo perfeito e a obsessão por músculos definidos podem, muitas vezes, esconder um transtorno de imagem bastante prejudicial: a vigorexia. Também conhecida como Transtorno Dismórfico Muscular, essa condição faz com que a pessoa se perceba como fraca e magra, mesmo que já possua um físico musculoso e desenvolvido.

Esse distúrbio, que afeta também a saúde mental, leva a uma obsessão com o ganho de massa muscular. Pessoas que sofrem dessa condição tendem a passar horas excessivas na academia, seguir dietas extremamente rigorosas e, em alguns casos, utilizar substâncias ilícitas, como anabolizantes, para alcançar um físico ainda mais musculoso.

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Segundo especialistas, essa condição está associada a um distúrbio de percepção corporal, semelhante à anorexia, mas com um viés oposto: enquanto pessoas com anorexia se veem acima do peso mesmo estando abaixo do ideal, indivíduos com vigorexia acreditam que nunca são musculosos o suficiente.

“Além da preocupação excessiva com a aparência, a vigorexia está associada a padrões de comportamento compulsivos. A prática de exercícios físicos se torna exagerada e inflexível, sem respeito pelos limites do corpo, levando a lesões e ao comprometimento da saúde. A alimentação, por sua vez, se transforma em um elemento rígido e obsessivo, no qual a pessoa impõe regras extremas a si mesma, evitando qualquer tipo de variação por medo de prejudicar os ganhos musculares. Isso pode levar ao isolamento social, já que eventos e encontros que envolvem comida ou descanso são frequentemente evitados”, explica o psicólogo Alexander Bez.

Os principais sinais da vigorexia incluem:

Além disso, o transtorno pode levar a problemas psicológicos, como ansiedade, depressão e isolamento social, já que a preocupação com o corpo se torna central na vida do indivíduo.

“A pessoa sente angústia, culpa ou irritabilidade caso não consiga cumprir sua rotina de exercícios, demonstrando um padrão semelhante ao observado em transtornos obsessivo-compulsivos”, acrescenta Bez.

Como é feito o diagnóstico e o tratamento?

O diagnóstico da vigorexia é clínico e geralmente realizado por um psiquiatra ou psicólogo. O profissional avalia o comportamento do paciente, seu nível de insatisfação corporal e os impactos que isso causa em sua vida.

Testes e entrevistas podem ser aplicados para compreender a intensidade do transtorno e se há outros distúrbios associados, como depressão ou transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).

“Durante a avaliação, são observados sintomas como imagem corporal distorcida, rituais compulsivos de treino e alimentação, além do grau de impacto desses fatores na rotina da pessoa. Muitas vezes, o paciente não percebe que tem um transtorno e só busca ajuda quando já está enfrentando consequências físicas, como lesões frequentes, fadiga crônica e complicações associadas ao uso de substâncias”, diz Mariane Pires Marchetti, psicóloga.

O tratamento da vigorexia envolve uma abordagem multidisciplinar e inclui acompanhamento com psicólogo, psiquiatra, educador físico e nutricionista:

“A terapia é uma das principais formas de intervenção, ajudando o paciente a modificar os pensamentos disfuncionais sobre sua imagem. Além disso, o suporte psiquiátrico pode ser necessário, especialmente se houver quadros de ansiedade ou depressão associados. O acompanhamento de nutricionistas e educadores físicos também é fundamental para promover uma relação mais equilibrada com a dieta e o exercício, reduzindo práticas extremas. O objetivo do tratamento é restaurar o equilíbrio na busca por um corpo saudável, sem que isso comprometa o bem-estar físico e emocional”, finaliza Marchetti.

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