Waack: Escândalo Master atinge principal candidato da oposição
É bastante óbvio que a proximidade de uma figura pública com escândalo tão tóxico como o do Banco Master envenena essa figura. Só não enxerga quem está completamente cego pela paixão política.
Foi o que aconteceu com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), uma figura de peso na oposição. E agora com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), até aqui quem melhor pontuava nas pesquisas como candidato da mesma oposição.
O momento é particularmente perigoso para o grupo representado por Ciro e Flávio por conta de um sentimento muito forte no eleitorado. Que é o anseio por uma mudança, e não simplesmente por uma troca — ou mesmo apenas o fim do atual governo.
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Qual a mudança de rumo sinalizada por integrantes de uma corrente política envolvida num escândalo que atinge também outras correntes, incluindo a do principal adversário?
Mas o momento é perigoso do ponto de vista da candidatura de Flávio por mais um motivo, ligado a esse. As pesquisas indicam um espaço enorme no eleitorado, que varia entre 30% a 40%, de gente querendo uma alternativa ao eixo Lula-Bolsonaro.
Até aqui os nomes que se apresentam não registram nas pesquisas uma alta densidade eleitoral. Mas vários deles demonstram nos mesmos levantamentos uma grande capacidade de competição contra Lula (PT) caso cheguem a um eventual segundo turno.
Não é possível neste instante — neste instante — dizer com segurança qual o grau do estrago do escândalo do Master na candidatura do Flávio Bolsonaro. Mas só o fato dessa pergunta surgir já é péssima notícia para ele.