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Em carta, Flávio pede a Rubio que poupe Brasil de nova proposta de tarifaço

Por CNN 02/06/2026 14:39

O senador e pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro (RJ), enviou, nesta terça-feira (2), uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pedindo que o governo estadunidense poupe o Brasil da nova proposta de tarifaço.

No documento, Flácio cita uma suposta crise econômica para justificar um eventual recuo por parte do governo Donald Trump.

A carta afirma que o Brasil vive uma “grave deterioração fiscal e econômica” e argumenta que eventuais sanções comerciais prejudicariam a população brasileira, citando o aumento da dívida pública, o recorde de inadimplência e supostas dificuldades enfrentadas pelas empresas.

Nesta semana, o USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) recomendou a imposição de tarifas de 25% sobre todas as importações do Brasil.

Confira a íntegra da carta:

“Prezado Secretário Rubio,

Escrevo, em primeiro lugar, para agradecer a cordialidade com que fui recebido durante minha recente visita a Washington. Nossa conversa reforçou minha convicção de que a amizade entre nossas duas nações se baseia em valores compartilhados e em uma visão comum para a segurança e a prosperidade do Hemisfério Ocidental.

Sou especialmente grato por sua decisão de designar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas. Essas duas facções estão entre os empreendimentos criminosos mais violentos do Brasil, e suas redes de drogas, armas e dinheiro se estendem muito além de nossas fronteiras — inclusive para o seu país. A ampla maioria do povo brasileiro comemorou essa medida, mesmo que ela não tenha agradado ao governo atual. Trata-se de um passo decisivo para proteger cidadãos honestos em todo o nosso hemisfério compartilhado.

Escrevo também, porém, com preocupação em relação à recente determinação da Seção 301 anunciada pelo Representante de Comércio dos Estados Unidos. Embora eu compreenda que nenhuma tarifa tenha sido imposta até o momento — e que a decisão apenas tenha aberto um processo de consulta pública e etapas técnicas que levarão a um prazo legal em julho — acredito ser meu dever compartilhar com o senhor as reais condições econômicas enfrentadas pelo povo brasileiro neste momento.

O Brasil vive uma grave deterioração fiscal e econômica. Nossa dívida bruta do governo geral já ultrapassou 80% do PIB pela primeira vez desde a pandemia, alcançando R$ 10,4 trilhões em abril, e as projeções de mercado apontam que ela chegará a um recorde de 83,7% do PIB até o fim do ano. As contas públicas continuam registrando déficit primário, enquanto os pagamentos de juros da dívida atingiram níveis recordes.

O peso sobre as famílias é ainda mais alarmante: um recorde de 81,7 milhões de brasileiros está inadimplente — quase metade da população adulta — e os compromissos com dívidas consomem uma parcela sem precedentes da renda familiar. Do lado das empresas, os pedidos de recuperação judicial — equivalente brasileiro ao Chapter 11 dos Estados Unidos — dispararam para o recorde histórico de 2.466 companhias em 2025, enquanto 8,7 milhões de contribuintes empresariais estavam inadimplentes no início de 2026. Todos esses números representam recordes históricos.

Diante desse cenário, a imposição de novas tarifas causaria sérios danos ao povo brasileiro — justamente os cidadãos que veem os Estados Unidos como um parceiro e um amigo. Por isso, escrevo para reiterar formalmente o pedido que lhe fiz pessoalmente: que os Estados Unidos não imponham tarifas ao Brasil.

Como já afirmei, estou confiante de que serei eleito presidente do Brasil em outubro. Caso essa seja a vontade do meu povo, estou preparado para colocar imediatamente minha equipe de transição à disposição de seu governo, para que possamos concluir, o mais rapidamente possível, um amplo acordo de comércio e investimentos benéfico para ambas as nações — baseado em livre mercado, respeito mútuo e na aliança estratégica que nossos povos merecem.

Permaneço inteiramente à disposição e espero aprofundar a amizade entre o Brasil e os Estados Unidos.

Que Deus abençoe a América, e que Deus abençoe o Brasil.

Atenciosamente,

Flávio Bolsonaro
Senador da República Federativa do Brasil.”

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