Indústria de pescados tenta barrar tarifa de 25% dos EUA

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Indústria de pescados tenta barrar tarifa de 25% dos EUA

A indústria brasileira de pescados pretende ampliar as negociações com os governos do Brasil e dos Estados Unidos para tentar reduzir as chances de implantação da tarifa de 25% anunciada pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos).

Entre as medidas defendidas pelo setor estão a inclusão dos pescadores no programa Brasil Soberano, a ampliação do acesso ao crédito e a participação na consulta e na audiência pública que serão realizadas pelo governo dos Estados Unidos para discutir a medida.

A imposição surge após a conclusão de uma investigação comercial iniciada em julho de 2025 e ainda será submetida a consulta pública antes de uma decisão final do governo dos Estados Unidos.

Segundo o presidente da Abipesca (Associação Brasileira das Indústrias de Pescados), Eduardo Lobo, a expectativa do setor era exportar cerca de US$ 300 milhões para o mercado americano em 2026, planejamento que pode ser comprometido pela nova taxação.

“O aumento de produção que estávamos planejando tinha como destino o mercado americano. Com uma tarifa de 25%, perdemos competitividade em relação a países como México, Colômbia e nações da América Central e do Caribe”, afirmou à CNN Brasil.

Lobo destacou que o setor já enfrentou desafios semelhantes no passado e precisou buscar alternativas para manter as exportações. Na ocasião, as empresas abriram novos mercados e reorganizaram a produção, estratégia que ajudou a reduzir os impactos das barreiras comerciais.

“O setor se reinventou, abriu novos mercados e criou oportunidades que permanecem até hoje. Houve uma redução do volume produzido naquele momento, mas, com a redução das tarifas posteriormente, voltamos a ampliar a atividade”, disse.

Para a entidade, não há justificativa para a inclusão dos pescados brasileiros na lista de produtos atingidos pela tarifa. Segundo o presidente da Abipesca, a produção nacional não compete diretamente com a norte-americana e atende uma demanda específica dos consumidores dos EUA.

“O que produzimos aqui não é produzido lá e é consumido pelo mercado americano. Não vemos razão para que os pescados brasileiros estejam incluídos nessa medida”, afirmou.

No Brasil, a principal reivindicação da entidade é a inclusão do setor no programa Brasil Soberano, anunciado pelo governo federal para apoiar segmentos afetados pelas medidas comerciais americanas.

De acordo com Lobo, os pescados ficaram de fora da segunda etapa do programa, apesar de serem uma das proteínas mais expostas ao mercado americano.

“Estamos pedindo sensibilidade do governo. Entre as proteínas exportadas pelo Brasil, os pescados são os únicos que não estão contemplados nas exceções ou mecanismos de apoio anunciados até agora. Precisamos estar dentro do Brasil Soberano”, reforçou.

Além do apoio financeiro, a Abipesca pretende atuar diretamente junto às autoridades norte-americanas. A entidade confirmou que participará da consulta pública e da audiência pública previstas no processo de revisão das tarifas.

“Nossa expectativa é que prevaleça uma análise técnica. O setor brasileiro de pescados é parceiro do setor americano, não concorrente. Vamos apresentar informações que demonstrem a importância dos produtos brasileiros para o mercado dos Estados Unidos”, destacou.

Segundo Lobo, entidades norte-americanas ligadas ao consumo e à comercialização de pescados também têm manifestado apoio ao pleito brasileiro e devem participar das discussões.

Repercussão setorial

A proposta de sobretaxa também é acompanhada com atenção pela PEIXE BR (Associação Brasileira da Piscicultura). Em nota, a entidade afirmou que vê com preocupação a iniciativa apresentada pelo USTR.

Segundo a PEIXE BR, embora os detalhes sobre os produtos e setores efetivamente impactados ainda estejam em discussão, a possibilidade de novas barreiras comerciais gera insegurança para as cadeias exportadoras e pode comprometer a competitividade dos produtos brasileiros em um dos principais mercados consumidores do mundo.

A associação destacou ainda que qualquer medida que resulte em aumento de custos ou restrições ao comércio internacional deve ser tratada com cautela, especialmente em um momento em que o Brasil amplia sua presença global na produção de alimentos e no agronegócio.

A entidade informou que continuará acompanhando os desdobramentos da proposta e avaliando seus possíveis impactos sobre a piscicultura brasileira e o agronegócio nacional.

Apesar das incertezas sobre os critérios e o cronograma das análises conduzidas pelo governo dos Estados Unidos, a associação afirma manter uma postura cautelosa e confiante.

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