Leia íntegra da declaração conjunta sobre cessar-fogo entre Israel e Líbano
Líbano e Israel concordaram com um cessar-fogo nesta quarta-feira (3), após as negociações mediadas pelos EUA em Washington, que iniciaram na terça-feira (2).
O anúncio da trégua foi feito por meio de uma declaração conjunta divulgada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos.
Segundo o comunicado divulgado pelo governo americano, ambos os países concordaram com a “cessação completa dos disparos do Hezbollah e a remoção de todos os seus membros do setor sul de Litano”.
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Ainda de acordo com o documento, as nações concordaram em retomar as discussões na semana de 22 de junho, com objetivo de alcançar um “acordo abrangente”.
As discussões ocorrem em meio a contínuos ataques entre Israel e o Hezbollah e à ameaça de escalada por parte do governo de Benjamin Netanyahu.
Netanyahu afirmou na segunda-feira (1º) que as forças armadas israelenses continuariam atacando o sul do Líbano “como planejado”, horas depois do presidente Donald Trump declarar que as forças israelenses não avançariam sobre Beirute.
Uma conversa telefônica entre os dois líderes na segunda-feira (1º) tornou-se acalorada, segundo pessoas familiarizadas com a conversa, com o presidente americano pressionando seu homólogo a reduzir os planos de operações no Líbano.
Trump também afirmou na segunda-feira que conversou por telefone com “representantes dos líderes do Hezbollah, e eles concordaram em parar de atirar em Israel”.
Leia a íntegra do texto
Os Estados Unidos convocaram a quarta reunião trilateral de alto nível entre representantes israelenses e libaneses nos dias 2 e 3 de junho de 2026.
Como resultado das negociações lideradas pelos EUA, Israel e Líbano concordaram com a implementação de um cessar-fogo. O cessar-fogo está condicionado à completa cessação dos disparos do Hezbollah e à evacuação de todos os operativos do Hezbollah do Setor Sul de Litani.
Os dois lados concordaram, sob a orientação dos Estados Unidos, em avançar rapidamente na criação de zonas-piloto nas quais as Forças Armadas Libanesas assumirão o controle exclusivo do território, excluindo todos os atores não estatais.
Essas medidas permitirão o progresso rumo a um acordo abrangente de paz e segurança.
Todos os países reafirmaram que o futuro da relação entre Israel e Líbano deve ser decidido pelos dois governos soberanos. Rejeitaram qualquer tentativa, por parte de qualquer Estado ou ator não estatal, de manter o futuro do Líbano como refém.
Israel e Líbano reafirmaram que não têm intenções hostis um para com o outro e se comprometeram a continuar as negociações diretas para construir confiança, resolver todas as questões pendentes e trabalhar em direção a um acordo abrangente entre os dois países.
As delegações discutiram uma estrutura de segurança, com base nas discussões realizadas no Pentágono em 29 de maio, visando garantir de forma sustentável a soberania, a segurança e a integridade territorial do Líbano e de Israel. Isso inclui o desmantelamento de grupos armados não estatais e a prevenção de seu ressurgimento.
Todas as partes condenaram os ataques do Irã contra países da região e as atividades em curso que minam a estabilidade em todo o Oriente Médio, seja por meio do apoio a grupos armados ou por quaisquer outros atos de agressão.
Os Estados Unidos reiteraram seu apoio contínuo a ambos os governos no exercício de sua soberania. Reafirmaram que qualquer acordo para cessar as hostilidades deve ser alcançado diretamente entre os dois governos, com a intermediação dos Estados Unidos, e não por meio de qualquer via paralela. Os Estados Unidos reiteraram sua intenção de apoiar as Forças Armadas Libanesas, com o objetivo de aprimorar sua capacidade e permitir o exercício efetivo da soberania em todo o território libanês. Enfatizaram a declaração do Secretário Rubio, de 2 de junho, de que o Hezbollah não é apenas um inimigo de Israel e dos Estados Unidos, mas sim um inimigo do Líbano.
Israel reafirmou que sua segurança e o respeito à sua integridade territorial só podem ser alcançados por meio do desarmamento do Hezbollah e do desmantelamento de sua infraestrutura em todo o Líbano. Ressaltaram a importância de negociações diretas sob a liderança dos Estados Unidos para resolver todas as questões pendentes e alcançar paz e segurança duradouras.
O Líbano reafirmou a necessidade de respeito mútuo às fronteiras internacionalmente reconhecidas, a urgência da plena implementação da cessação das hostilidades, ressaltando os princípios da integridade territorial e da plena soberania estatal. O Líbano comprometeu-se a fortalecer a capacidade das Forças Armadas Libanesas, com o apoio dos EUA, para exercer controle efetivo em todo o país.
As duas partes concordaram em retomar as discussões políticas e de segurança na semana de 22 de junho, com vistas a alcançar um acordo abrangente. Os Estados Unidos concordaram em continuar facilitando a comunicação entre as partes nesse ínterim.
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