Waack: Estados Unidos adotam coerção como regra de negócio
Não dá para levar o presidente Lula a sério quando disse hoje que foi surpreendido com a proposta americana de impor ainda mais tarifas sobre exportações. Trump passou meses buscando um jeito de recompor aquelas medidas de imposição de tarifas que a corte suprema de lá disse que não tinham base legal.
A base legal chama-se agora investigação sobre práticas desleais – que pegam o Brasil e mais sessenta países.
A surpresa de Lula indica que ele não parece ter entendido a natureza do que Trump tenta fazer. É usar todo tipo de coerção para atingir objetivos. Não se trata aí de química, simpatia, entendimento, escrever uma cartinha para esse ou aquele, pedir mais uns dias para negociar, rosnar, xingar, fazer cara feia ou bonita.
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O que está acontecendo é impor coerção – a militar, por enquanto, não parece estar sendo considerada em Washington mesmo depois de classificar organizações criminosas brasileiras como terroristas. Como fazer frente a isso?
O Brasil é uma potência média com escassa capacidade de projeção de poder, e essa é a grande lição que está tomando quando Trump age dentro da única lei que vale para ele, que é a lei da selva. A oposição bolsonarista entendeu isso também?
Também não. Pois acha que as coisas se resolvem na tal afinidade ideológica com um presidente, como Trump, que só pensa nos interesses dele e trata aliados como adversários. O problema com os Estados Unidos no fundo é outro, muito mais abrangente.
É o fato do Brasil não ter tido nas últimas décadas nada parecido com um projeto nacional de grande alcance. Ou estratégias definidas. Agora, é torcer para não ficar tudo ainda pior.