“Sem bateria”: doença autoimune no fígado pode causar exaustão extrema

Por anos trabalhando com assistência técnica de eletrônicos, a paulista Célia Recupero, hoje com 65 anos, tinha uma vida muito ativa, mas em 2005 começou a sentir que sua “bateria” acabava cada vez mais cedo. Eram os primeiros sinais de uma doença autoimune que vinha atacando seu fígado e que só seria diagnosticada cinco anos depois.

“Meus olhos ficavam estranhos, muito cansados, e à noite eu não conseguia fazer mais nada. Era como se, de repente, tirassem toda a minha energia. Eu tinha três filhos pequenos e me esforçava ao máximo para fazer as coisas por eles, mas tinha que me apoiar no carrinho de mercado para me arrastar se tivesse que fazer compras”, lembra.

Leia também

Uma jornada pelo diagnóstico

Com a sobrecarga de ser comerciante, mãe e cuidar do dia a dia da casa, Célia demorou a perceber que sua exaustão podia ter outras origens. Mesmo os médicos que ela consultava acreditavam que a origem da fadiga deveria estar em sua rotina.

“Percebi que não era normal quando me sentei no carro para sair do trabalho e não conseguia dirigir. Lembro também de um dia que minha filha teve febre e não tive forças para acompanhar meu marido e levá-la ao hospital. Eu vivia na cama, chegava do trabalho precisando deitar, sem condição nenhuma. Deixei de ter autonomia, não tinha forças nem para assistir um filme na sala”, afirma.

Os episódios de “perder a bateria” só se acumulavam. Célia já sentiu o cansaço repentino aparecer enquanto subia as escadas de casa e precisou dormir imediatamente, mesmo que poucos minutos antes estivesse se sentindo “totalmente energizada”.

A primeira pista do que estava causando o cansaço veio no dentista. O profissional solicitou um exame de sangue em que as enzimas detectadas sugeriram uma alteração no fígado de Célia.

Ela iniciou uma jornada por vários testes e exames, mas nada conseguia identificar exatamente a raiz do problema. Mais de um ano depois, após uma biópsia do fígado, se confirmou o diagnóstico de colangite biliar primária (CBP).

A doença autoimune que ataca o fígado

A colangite biliar primária (CBP) é uma doença hepática autoimune crônica que destrói progressivamente os pequenos ductos biliares do fígado, impedindo o fluxo da bile. Um dos possíveis primeiros sintomas é a fadiga, fator facilmente confundido com outras condições. Quando Célia foi diagnosticada, seu quadro estava tão avançado que ela tinha cirrose biliar.

“A causa exata da CBP não é bem conhecida, mas sabemos que há uma combinação de fatores genéticos e ambientais, como exposição a certas substâncias químicas como tabaco, esmaltes e tintura de cabelo, ou um histórico de infecções, principalmente de trato urinário”, explica a hepatologista Débora Terrabuio.

Assim como outras doenças autoimunes, incidência e prevalência da CBP são mais altas nas mulheres. A faixa etária mais acometida fica entre 40 e 70 anos. Estima-se que até 6% dos familiares de pessoas com CBP podem desenvolver a doença.

Por sorte, o hábito de fazer check-ups tem diminuído a incidência de diagnósticos tardios, de acordo com a hepatologista. “Exames de sangue de rotina já podem indicar alterações, com o conhecimento médico que temos. Por isso, hoje em dia menos de 10% dos pacientes são diagnosticados já com quadros de icterícia e a maioria não chega a sentir os sintomas clássicos de fadiga e coceira generalizada”, completa Débora.

Quando há sintomas, a fadiga é o principal sinal para 80% das pessoas com CBP. Como a exaustão é difícil de diferenciar de outros quadros, um conselho da hepatologista é observar se o cansaço não melhora com descanso ou mudanças simples na rotina, o que já serve de sinal de alerta.

“Sem bateria”: doença autoimune no fígado pode causar exaustão extrema - destaque galeria3 imagensLevantar da cama de manhã para atender o telefone era uma tortura, diz CéliaA CBP me trouxe desafios, diz a mulherFechar modal.MetrópolesA colangite biliar primária (CBP) é uma doença hepática autoimune crônica que destrói progressivamente os pequenos ductos biliares do fígado1 de 3

A colangite biliar primária (CBP) é uma doença hepática autoimune crônica que destrói progressivamente os pequenos ductos biliares do fígado

Arquivo Pessoal/Célia RecuperoLevantar da cama de manhã para atender o telefone era uma tortura, diz Célia2 de 3

Levantar da cama de manhã para atender o telefone era uma tortura, diz Célia

Arquivo Pessoal/Célia RecuperoA CBP me trouxe desafios, diz a mulher3 de 3

A CBP me trouxe desafios, diz a mulher

Arquivo Pessoal/Célia Recupero

Tratamento com vida renovada

Hoje, após quase 20 anos convivendo com a CBP, Célia conseguiu controlar a doença e superar a fadiga extrema graças ao acompanhamento com hepatologista e ao cuidado adequado. “A CBP me trouxe desafios, mas sou grata em ter tido acesso a especialistas e a um tratamento eficaz que me permitiram ter mais qualidade de vida”, conclui.

Embora a CBP não tenha cura, existem tratamentos que permitem maior controle da doença e qualidade de vida. Cada paciente, porém, vai responder de forma diferente aos medicamentos e não há apenas um que funcione para todos. No caso de Celia, o maior aliado foi um simples suplemento de vitamina E.

“Já tinha tentado outros remédios e não tive boas respostas, mas com a vitamina E em uma semana me senti totalmente renovada. Até meus olhos mudaram. Não posso dizer que hoje tenho a mesma força de antes, porque estou com 65 anos, tenho meus cansaços do dia a dia, mas não se compara ao que vivi antes de ter tratamento”, conclui Célia.

Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto!



Fonte: Metrópoles

F1: Norris pode encaminhar titulo na corrida sprint deste sábado

Lando Norris está cada vez mais próximo do tão sonhado título da Fórmula 1. O britânico sairá da 2ª posição na corrida sprint do...

Alvo de polêmica em 2021, Andreas reencontra Flamengo na Libertadores

Flamengo e Palmeiras repetem a final da Libertadores de 2021, neste sábado (29/11), às 18h (de Brasília). Quatro anos depois, uma das figuras rubro-negras...

Classificação e sprint: o segundo dia de Stock Car em Brasília

Após a sessão de treinos na sexta-feira (28/11), os pilotos da Stock Car Pro se preparam para um sábado (29/11) de classificação e corrida...