Especialista: Não ter um plano para a Venezuela indica processo mal feito

A falta de um plano concreto dos EUA para o futuro da Venezuela após Nicolás Maduro representa um processo de intervenção mal estruturado. Esta é a avaliação de Jana Nelson, ex-subsecretária de Defesa dos EUA, durante sua participação no WW Especial deste domingo (4).

Segundo a especialista, as declarações contraditórias de autoridades americanas sobre o destino do país sul-americano são preocupantes.

“Se você vai invadir um país, sequestrar o líder desse país, ilegítimo ou não, e não ter um plano concreto que você pode comunicar para a população do seu país e do país que está sendo invadido, isso indica um processo mal feito”, afirmou Nelson.

 

A ex-subsecretária apontou inconsistências nas comunicações oficiais americanas. Enquanto em um momento se fala em “governar a Venezuela”, em outro, autoridades recuam dessa posição.

“Ele diz que quer o petróleo da Venezuela e o secretário Rubio diz, vamos ver, vamos ver o que a Delcy faz”, exemplificou, destacando as contradições nas declarações.

Nelson também criticou o posicionamento americano em relação à legitimidade do processo eleitoral venezuelano.

“O presidente Trump declarou que não achava que Maria Corina Machado tinha o apoio da população venezuelana, o que não é verdade, ela tem”, afirmou.

A especialista lembrou ainda que o secretário de Estado, Marco Rubio, chegou a declarar Edmundo Gonzalez, vencedor das eleições com mais de 37% dos votos segundo observadores independentes, como ilegítimo.

Cenários para o futuro da Venezuela

Quanto ao futuro do país, Nelson acredita que não haverá outras operações militares semelhantes, pois seria difícil justificar outra intervenção.

“Eles vão trocar um ditador por outro, vão trabalhar com a Delcy e vão tentar aumentar os investimentos americanos na Venezuela”, projetou.

A especialista avalia que os Estados Unidos tentarão convencer empresas americanas a investir na Venezuela e buscarão manter a segurança do país estável, já que isso atende aos interesses americanos.

“É de interesse de todo mundo, inclusive dos Estados Unidos, manter a estabilidade e segurança na Venezuela. Não aumentar o número de imigrantes, não aumentar o número de narcotraficantes, ter um pouco mais de controle sobre o país”, concluiu.

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