A duração do atual conflito no Oriente Médio pode ter sérias implicações para a política doméstica dos Estados Unidos, conforme análise do analista sênior de Internacional, Américo Martins, no CNN 360°. Durante pronunciamento recente, Donald Trump afirmou que não iria se “entediar” com o conflito, uma tentativa de garantir aos defensores das ações contra o Irã que ele não abandonaria a campanha militar.
Segundo o analista, Trump está ciente de que quanto mais tempo durar o conflito, maiores serão os riscos políticos para sua administração. “Quanto mais tempo esse conflito durar, mais riscos ele representa do ponto de vista político para Donald Trump”, afirmou Martins. O especialista destacou que a morte de soldados americanos – com quatro confirmados no Kuwait – e a perda de equipamentos militares sofisticados já começam a pressionar o governo.
A situação se complica com a perda de pelo menos três caças americanos sofisticados, supostamente abatidos por fogo amigo de baterias antiaéreas do Kuwait, além de 18 militares feridos, alguns gravemente, em ataques iranianos contra bases no Kuwait. Esses incidentes podem aumentar a resistência da população americana ao envolvimento militar prolongado na região.
Estratégia iraniana e pressão econômica
O Irã parece estar apostando na estratégia de prolongar o conflito para pressionar Trump. “Essa é a aposta do Irã, de tentar resistir, tentar causar uma crise econômica que vai custar caro até internamente para os Estados Unidos”, explicou Martins. O país tem atacado petroleiros, tentado fechar o Estreito de Ormuz e visado refinarias na Arábia Saudita e a produção de gás no Qatar, usando armas econômicas para pressionar os EUA.
Embora no início do conflito a oposição às ações militares não seja tão expressiva – principalmente pela impopularidade do regime iraniano entre os americanos e o tradicional apoio às forças armadas – o cenário pode mudar com o prolongamento das hostilidades. Martins observa que os eleitores americanos, especialmente os apoiadores do movimento MAGA (Make America Great Again), preferem que seu líder se concentre em questões domésticas como o alto custo de vida.
“Do ponto de vista do eleitor americano, essas guerras são caras, não atacam o problema direto da vida deles, que é, por exemplo, o altíssimo custo de vida”, analisou o especialista. Esta preocupação é particularmente relevante entre os eleitores mais fervorosos de Trump, que defendem o foco nos problemas internos dos Estados Unidos em vez de conflitos estrangeiros.