Em Rio Branco, entre tacacá e churrasco até a balança pede arrego: capital lidera ranking dos gordinhos no Norte

 Dados atuais reforçam que a capital acreana está entre as cidades brasileiras com altos índices de excesso de peso e obesidade, reflexo de mudanças nos padrões alimentares e estilos de vida.

Segundo a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), conduzida pelo Ministério da Saúde, mais da metade da população adulta brasileira apresenta excesso de peso (IMC ≥ 25 kg/m²) — com uma média nacional de 61,4 % nas 26 capitais e no Distrito Federal. A obesidade (IMC ≥ 30 kg/m²), por sua vez, atingiu 24,3 % dos adultos no país.

No ranking por capitais, Rio Branco aparece com 60,6 % de adultos com excesso de peso e 26,1 % com obesidade, cifras que a colocam próxima das capitais com maiores indicadores do país e a mais preocupante na Região Norte.

Outras capitais também registraram altas prevalências de excesso de peso e obesidade em 2023:

  • Rio de Janeiro liderou com 65,2 % de excesso de peso.

  • Manaus teve 63,5 % com excesso de peso.

  • Fortaleza (63,3 %) e Campo Grande (62,8 %) também ficaram acima da média nacional.

Por outro lado, algumas capitais apresentaram índices menores de excesso de peso, como Teresina (50 %) e Palmas (50,4 %).

Evolução em Rio Branco

Estudos epidemiológicos apontam uma tendência de crescimento de excesso de peso e obesidade em Rio Branco ao longo das últimas décadas. Um levantamento científico que analisou dados entre os últimos anos mostrou que a prevalência de excesso de peso na capital acreana passou de cerca de 44 % em 2006 para quase 59 % em 2020, enquanto a obesidade aumentou de 12,5 % para mais de 21 % no mesmo período.

Pesquisas locais e nacionais também destacam que, em diversos levantamentos, Rio Branco figura entre as capitais com índices relativamente altos de excesso de peso. Em 2016, por exemplo, dados do Ministério da Saúde mostraram que a capital do Acre tinha 60,6 % da população acima do peso — um dos maiores percentuais entre todas as capitais brasileiras daquela edição da pesquisa. Esse percentual se manteve até 2025.

O que dizem especialistas

Especialistas em saúde pública alertam que o crescimento dos índices de sobrepeso e obesidade em Rio Branco e em outras capitais brasileiras está ligado a fatores como dieta rica em alimentos ultraprocessados, sedentarismo e mudanças socioeconômicas que alteraram padrões de consumo e atividade física ao longo das últimas décadas.

Esse cenário não é exclusivo da capital acreana, mas o posicionamento de Rio Branco no grupo das capitais com maior prevalência de excesso de peso evidencia o desafio de saúde pública que a cidade enfrenta, refletindo tendências nacionais de aumento de fatores de risco para doenças crônicas, como diabetes e hipertensão.