O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reuniram nesta quinta-feira (7) na Casa Branca, em Washington, em um encontro classificado por ambos os líderes como “muito bom” e “produtivo”.
O encontro, que durou cerca de três horas, ocorreu no formato de visita de trabalho, considerado mais objetivo do que uma visita de Estado tradicional.
Lula chegou à Casa Branca por volta das 12h21 (horário de Brasília) e foi recebido por Trump com um aperto de mãos. Depois da reunião bilateral no Salão Oval, os presidentes participaram de um almoço de trabalho.
Além dos dois líderes, participaram da reunião os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Wellington Lima e Silva (Justiça e Segurança), Dario Durigan (Fazenda), Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) e Alexandre Silveira (Minas e Energia).
Do lado americano, estiveram presentes o vice-presidente JD Vance, além de Susie Wiles, chefe de Gabinete, Scott Bessent, secretário do Tesouro, Jamieson Greer, representante do Comércio e Howard Lutnick, secretário do Comércio.
Tarifas, Pix e comércio
Entre os principais temas discutidos estiveram as tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos e a investigação aberta pelos americanos sobre o Pix, no âmbito da chamada Seção 301.
Após o encontro, Lula afirmou que propôs a Trump a criação de um grupo de trabalho para que representantes dos dois países debatam as divergências comerciais nos próximos 30 dias.
Segundo o presidente brasileiro, ele explicou ao republicano que os Estados Unidos acumulam superávit comercial com o Brasil há anos e que a tarifa média brasileira sobre produtos americanos é de cerca de 2,7%.
“Quem tiver errado vai ceder. Se a gente tiver que ceder, nós vamos ceder”, afirmou Lula.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que novas reuniões entre os dois governos devem ocorrer nas próximas semanas para discutir tanto as tarifas quanto a investigação sobre o Pix.
Lula também pediu diretamente a Trump que o processo da Seção 301 seja encerrado “o quanto antes”.
Trump, por sua vez, afirmou nas redes sociais que os dois discutiram “comércio e, especificamente, tarifas”.
Lula cobra reforma no Conselho de Segurança da ONU
Outro ponto central da reunião foi a discussão sobre a reforma da Organização das Nações Unidas e do Conselho de Segurança.
Lula afirmou que pressionou Trump para que os membros permanentes do Conselho liderem uma reformulação do órgão.
“É preciso reformar a ONU”, disse o presidente brasileiro, acrescentando que Trump, Xi Jinping, Vladimir Putin, Emmanuel Macron e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, têm responsabilidade sobre o tema.
O petista voltou a defender a ampliação do Conselho de Segurança e reiterou o interesse histórico do Brasil em ocupar um assento permanente no colegiado.
“A geopolítica de 2026 não é a geopolítica de 1945”, afirmou.
Irã, Cuba e Venezuela
O cenário internacional também ocupou espaço importante na conversa entre os dois líderes.
Sobre o Irã, Lula afirmou que disse a Trump acreditar “muito mais no diálogo do que na guerra” e avaliou que uma eventual escalada militar pode trazer prejuízos maiores aos próprios Estados Unidos.
“Ele acha que a guerra já acabou, não é o real”, comentou Lula sobre a visão de Trump em relação ao conflito.
O presidente brasileiro também afirmou ter colocado o Brasil à disposição para auxiliar em eventuais negociações envolvendo Cuba.
Segundo Lula, Trump teria dito que “não pensa em invadir Cuba”.
Já sobre a Venezuela, Lula afirmou esperar que o país “resolva seus problemas” após a operação militar americana que resultou na captura de Nicolás Maduro no início do ano.
“Eu espero que a Venezuela resolva seus problemas, porque o povo venezuelano precisa ter uma chance na vida de viver bem”, declarou.
Relação entre Lula e Trump
Apesar das diferenças ideológicas, Lula descreveu a relação com Trump como positiva e disse que houve uma “química” entre os dois.
“Sabe aquela história de amor à primeira vista? É isso que aconteceu”, afirmou o presidente brasileiro durante coletiva de imprensa.
Lula também disse acreditar que Trump “gosta do Brasil” e afirmou que os brasileiros têm interesse em construir “os melhores acordos” com os Estados Unidos.
O petista lembrou que os dois se encontraram pela primeira vez durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York, em setembro de 2025, e voltaram a conversar em uma reunião na Malásia, em outubro.
Durante a coletiva, Lula contou ainda que pediu para Trump sorrir durante o encontro. “Trump rindo é melhor que de cara feia”, brincou.
“Cara inteligente”
Horas após o encontro, na noite desta quinta-feira, Trump voltou a comentar a reunião durante uma visita ao Lincoln Memorial, em Washington.
Questionado por repórteres, o republicano afirmou ter tido uma “ótima reunião” com Lula e chamou o presidente brasileiro de “cara inteligente”.
“Tivemos uma ótima reunião, ele é um homem bom, um cara inteligente”, declarou o americano.
O presidente americano também disse que está realizando “muitas transações comerciais” com o Brasil, destacando que tem a intenção de aumentar o comércio entre os dois países.
Mais cedo, Trump também havia descrito Lula nas redes sociais como um “presidente muito dinâmico” e afirmou que representantes dos dois países continuarão se reunindo nos próximos meses para avançar nas negociações bilaterais.
Veja fotos do encontro entre Lula e Trump
-
1 de 7Encontro dos presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva na Casa Branca • Instagram/@lulaoficial
-
2 de 7Trump recebe Lula na Casa Branca • @margomartin47 via X
-
3 de 7Trump recebe Lula na Casa Branca • @margomartin47 via X
-
-
4 de 7Os Presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva sorridentes durante encontro na Casa Branca • Divulgação/Ricardo Stuckert
-
5 de 7Encontro de Lula e Donald Trump nesta quinta-feira (7), na Casa Branca • Divulgação/Ricardo Stuckert
-
6 de 7Donald Trump, Lula e líderes políticos durante encontro no Salão Oval da Casa Branca • Divulgação/Ricardo Stuckert
-
-
7 de 7Encontro dos presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva na Casa Branca • Divulgação/Ricardo Stuckert