Pelo menos 80 pessoas morreram em novo surto de Ebola na RD Congo

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Pelo menos 80 pessoas morreram em novo surto de Ebola na RD Congo

Pelo menos oitenta pessoas morreram em um novo surto de Ebola na província de Ituri, no leste da República Democrática do Congo, informou o Ministério da Saúde do país na noite desta sexta-feira (15).

O ministro da Saúde, Samuel Roger Kamba Mulamba, afirmou em comunicado que amostras testadas na quinta-feira (14) confirmaram oito casos da cepa Bundibugyo do vírus Ebola nas zonas de saúde de Rwampara, Mongwalu e Bunia.

Até o momento, foram registrados 246 casos suspeitos do vírus, segundo o ministério. O caso índice suspeito foi o de uma enfermeira que morreu no Centro Médico Evangélico de Bunia após apresentar sintomas como febre, sangramento, vômito e fraqueza extrema.

O governo informou que ativou seu centro de operações de emergência em saúde pública, reforçou a vigilância epidemiológica e laboratorial e ordenou o rápido envio de equipes de resposta.

A principal agência de saúde pública da África havia confirmado, na sexta-feira, um surto de Ebola na província de Ituri, elevando o número de mortos para 65 até o momento.

O CDCD (Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças) informou, em comunicado, que convocará uma reunião urgente com representantes do Congo, Uganda, Sudão do Sul e parceiros globais para reforçar a vigilância transfronteiriça, o preparo e os esforços de resposta.

O CDCDC afirmou que as mortes e os casos suspeitos foram relatados principalmente nas zonas de saúde de Mongwalu e Rwampara, enquanto quatro mortes foram registradas entre os casos confirmados em laboratório. Casos suspeitos também foram relatados em Bunia, a capital da província.

A agência disse que as descobertas iniciais sugerem a presença de uma cepa do vírus não originária do Zaire, e o sequenciamento está em andamento para melhor caracterizá-la.

Jean-Jacques Muyembe, o virologista congolês que codescobriu o Ebola e dirige o Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica em Kinshasa, disse à Reuters que todos os 16 surtos anteriores no Congo, com exceção de um, foram causados ​​pela cepa do Zaire.

A identificação de uma variante diferente complicará a resposta, afirmou ele, já que os tratamentos e vacinas existentes foram desenvolvidos contra a cepa do Zaire.

A Africa CDC (Agência Africana de Controle e Prevenção de Doenças) expressou preocupação com o risco de maior disseminação devido ao contexto urbano de Bunia e Rwampara, bem como com o intenso fluxo populacional e a mobilidade relacionada à mineração nas áreas afetadas, próximas a Uganda e ao Sudão do Sul.

“Dado o intenso fluxo populacional entre as áreas afetadas e os países vizinhos, a rápida coordenação regional é essencial”, afirmou Jean Kaseya, Diretora-Geral da Africa CDC, em comunicado.

O Ministério da Saúde de Uganda informou que um congolês morreu em Kampala em decorrência da cepa do vírus Bundibugyo. Uganda afirmou que o caso foi importado do Congo e que nenhum caso de transmissão local foi confirmado.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) tomou conhecimento de casos suspeitos em 5 de maio e enviou uma equipe a Ituri para auxiliar na investigação, mas as amostras coletadas em campo inicialmente testaram negativo, declarou o Diretor-Geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em coletiva de imprensa na sexta-feira.

Um laboratório em Kinshasa confirmou casos positivos na quinta-feira, elevando o número total de casos confirmados para 13, afirmou Tedros.

A OMS liberou US$ 500 mil de seu fundo de contingência para emergências para apoiar a resposta, incluindo vigilância, rastreamento de contatos, testes laboratoriais e atendimento clínico, disse ele.

Confrontos entre milícias

O novo surto se desenrola em meio a uma crescente crise de segurança em Ituri, onde confrontos entre milícias rivais mataram dezenas de civis nas últimas semanas.

A violência agravou uma situação humanitária já crítica, deixando as instalações de saúde sobrecarregadas ou inoperantes em partes da província, informou a Médicos Sem Fronteiras no início deste mês. A organização humanitária alertou para as condições catastróficas de higiene em locais de deslocados, aumentando o risco de surtos de doenças.

Este surto é o 17º no Congo desde que o Ebola foi identificado pela primeira vez no país, em 1976. O surto mais recente, na província de Kasai, foi declarado encerrado em 1º de dezembro, após três meses. De um total de 64 casos, 45 morreram e 19 se recuperaram.

A doença pelo vírus Ebola é uma enfermidade grave e frequentemente fatal, endêmica nas vastas florestas tropicais do Congo. Ela se espalha por contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas, materiais contaminados ou pessoas que morreram em decorrência da doença, informou o Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África (Africa CDC).