A Rússia fez ataques contra Kiev, capital da Ucrânia, no sábado (23), após o presidente russo, Vladimir Putin, ordenar retaliação por uma ofensiva ucraniana que atingiu um dormitório universitário em Starobilsk, cidade ocupada no leste de Luhansk, na sexta-feira (22).
Durante a noite de sábado, a Força Aérea Ucraniana emitiu um alerta sobre o lançamento de um míssil balístico de médio alcance. O míssil utilizado pela Rússia é chamado de Oreshnik, um projétil russo de alta potência.
A ofensiva russa danificou prédios residenciais, escritórios e escolas, deixando ao menos quatro mortos e mais de 80 feridos, informaram as autotidades ucranianas.
Esta foi a terceira vez em que a Rússia utilizou o Oreshnik contra a Ucrânia desde o início da guerra. O míssil tem alcance de milhares de quilômetros e é capaz de transportar uma ogiva nuclear.
O que é o Oreshnik?
O Oreshnik é um míssil balístico de médio alcance, com seu uso até o momento indicando um alcance de 965 a 1.600 quilômetros. Autoridades de defesa dos EUA o classificaram como um IRBM (“míssil balístico de alcance intermediário”), sugerindo que acreditavam que seu alcance real poderia ser superior a 4.800 quilômetros.
Uma característica distintiva do Oreshnik é sua capacidade de lançar múltiplas ogivas separadas do míssil principal. Até seis veículos de reentrada múltipla com alvos independentes, que podem conter de quatro a seis ogivas cada, separam-se do míssil enquanto ele viaja em velocidades hipersônicas; cada um pode ser apontado para alvos específicos, permitindo que um único míssil balístico lance um ataque de maior escala.
De onde vem seu nome?
Oreshnik significa “Aveleira”, devido à sua aparência quando suas múltiplas ogivas caem na terra em rastros de luz flamejante. Os ucranianos chamaram o primeiro míssil disparado de “Kedr” – Cedro.
Autoridades americanas sugeriram que ele pode ser uma evolução, ou uma cópia básica, do míssil RS-26 Rubezh, desenvolvido inicialmente em 2008.
A Rússia e os Estados Unidos estão em disputa sobre a renovação do INF (Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário), que visa proibir completamente os mísseis balísticos de alcance intermediário (IRBMs) e reduzir a ameaça de mísseis com capacidade nuclear no continente europeu. Os EUA se retiraram formalmente do tratado em 2019.
O primeiro lançamento do Oreshnik pela Rússia, em 2024, ocorreu dias depois de o governo Biden autorizar Kiev a disparar mísseis ATACMS fornecidos pelos EUA contra a Rússia.
Ele pode ser interceptado?
O Oreshnik se move mais rápido do que a maioria dos mísseis modernos, a uma velocidade estimada de 13 mil km/h. Sua trajetória o leva a uma ascensão íngreme, para fora da atmosfera, e depois o traz de volta a uma queda acentuada, com suas ogivas apontadas para alvos distintos. Isso o torna praticamente indefensável pelos sistemas de defesa aérea disponíveis na Ucrânia.
Esse tipo de míssil foi projetado para transportar ogivas nucleares. É raro, caro e remonta à época da Guerra Fria.
O Oreshnik só transportou explosivos convencionais até o momento, mas pertence a uma classe de mísseis cuja velocidade e capacidade refletem a ameaça nuclear.
Acredita-se que os Estados Unidos foram notificados antes de seu primeiro uso no final de 2024, para garantir que não fosse erroneamente classificado como um lançamento nuclear.
Especialistas ucranianos do Laboratório de Pesquisa Militar do Instituto de Pesquisa Científica de Perícia Forense de Kiev, que examinaram o que disseram ser os restos do primeiro míssil Oreshnik disparado contra Dnipro em novembro de 2024, disseram à CNN no início do ano passado que o míssil não parecia usar muitos circuitos modernos ou apresentar grandes avanços tecnológicos, mas se baseava em projetos e elementos já conhecidos.
(Com informações de Nick Paton Walsh, Tim Lister e Svitlana Vlasova, da CNN e da Reuters)