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Coisa que o Bocalom não fez: Alysson Bestene ouve demandas de líderes rurais e encaminha solução na Transacreana

A recente agenda do prefeito Alysson Bestene na região da Transacreana traz um inegável alívio coreográfico para uma comunidade calejada por anos de descaso. Ao sentar-se à mesa com lideranças, tomar café da manhã com moradores e prestigiar a tradicional Cavalgada da Transacreana, o atual gestor tenta demarcar uma linha divisória clara entre o seu estilo de governar e o de seu antecessor, Tião Bocalom. No entanto, para o produtor rural que depende da terra para sobreviver, a mudança de tom na lida política ainda carece de tradução em termos práticos: o que o campo precisa não é de novas rodadas de conversa, mas de máquinas na pista.

O contraste com a gestão anterior é flagrante. Sob o comando de Bocalom, a Transacreana virou sinônimo de desgaste e conflito. Foram anos de protestos inflamados, estradas bloqueadas, tratores parados e apelos desesperados na imprensa local. A falta de atenção crônica à manutenção dos ramais — as veias por onde escoa a riqueza agrícola de Rio Branco — penalizou severamente as famílias da zona rural, isolando comunidades inteiras e condenando toneladas de produção ao apodrecimento. A herança maldita deixada por esse período de isolamento e promessas vazias é o ceticismo legítimo que hoje habita o peito de cada líder comunitário.

E pensar que aquelo povo quer tão pouco: atenção, respeito e o cumprimento de promessas que resultaram em votos.

Nesse cenário, o movimento de Alysson Bestene é estrategicamente correto do ponto de vista político. Ouvir as demandas de quem está na divisa esquecida entre Rio Branco e Sena Madureira, como pontuou o líder comunitário José Roberto, é o básico de qualquer administração que se pretenda democrática. Dizer que a escuta direta é “essencial” funciona bem como discurso, mas soa redundante para quem já cansou de berrar por socorro debaixo de chuva e atoleiro.

A grande armadilha para a gestão de Bestene reside no anúncio de “uma nova rodada de reuniões”. O excesso de diagnósticos em detrimento da execução é um mal clássico da máquina pública. Os problemas da Transacreana não são inéditos e já estão devidamente mapeados pelo suor e pelo prejuízo dos produtores:

  • Infraestrutura: Ramais dignos, trafegáveis e pontes seguras para o escoamento da produção.

  • Saúde Básica: Presença real e constante do poder público em áreas isoladas.

  • Fomento: Apoio logístico e técnico real, que vá além do período de festividades.

A participação do prefeito na 15ª Cavalgada da Transacreana celebra, com justiça, a identidade e a resiliência do povo do campo. Mas a festa acaba quando a poeira baixa ou quando a próxima temporada de chuvas chegar. A “força desse povo aguerrido” não pode continuar sendo testada pela negligência do poder público.

Alysson Bestene ganha pontos pela diplomacia e pela sensibilidade ao restabelecer pontes de diálogo que haviam sido dinamitadas na gestão de Tião Bocalom. Contudo, o crédito concedido pelas associações tem prazo de validade curto. Se as novas reuniões prometidas se transformarem em pura burocracia ou palanque prolongado, a Transacreana logo lembrará ao município que quem tem fome de dignidade e pressa para escoar a produção não se alimenta apenas de simpatia e café da manhã. O asfalto e a piçarra precisam chegar antes que a paciência do produtor rural termine outra vez em bloqueio de estrada.

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REDAÇÃO

Autor da publicação.