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Jornalista aponta esquema milionário para tomar o poder no AC com articulação direta de Alan Rick, Jorge Viana e o Grupo Mercale/Uninorte; Detalhes

“Nunca a política no Acre esteve tão dependente do dinheiro. E não importa se o dinheiro é lícito, o fato é que o poder do vil metal pode decidir as próximas eleições e determinar o futuro do Acre e sua gente.” O alerta contundente abre a análise do jornalista Tião Maia, do portal Aquiry, que traz à tona um poderoso e milionário arranjo de bastidores. Sob o manto de cifrões e acordos silenciosos, figurões da política e do meio empresarial articulam uma complexa engenharia de chapas majoritárias que visa perpetuar um mesmo grupo no comando do estado pelos próximos 16 anos ou mais. Abaixo, uma síntese da reportagem do Aquyri, cuja íntegra pode ser lida NESTE LINK

A estratégia atual, conforme revela o experiente repórter, envolve a união de forças aparentemente distintas sob a liderança do senador Alan Rick (Republicanos), do ex-governador Jorge Viana (PT) e dos irmãos Rico e Murilo Mendes Leite — os magnatas por trás do Grupo Mercale e da Uninorte.

O plano desenhado nos bastidores foi revelado por uma fonte de alta patente ao jornalista. Se assemelha a um xadrez de extrema fidelidade financeira e política. De acordo com as informações divulgadas por Tião Maia, a engrenagem operaria em duas frentes principais:

  • O Governo do Estado: O empresário Rico Leite, CEO da Uninorte e proprietário da rede de supermercados Mercale, estaria articulando para assumir a vaga de vice-governador na chapa encabeçada por Alan Rick. O aporte financeiro milionário da campanha seria o principal trunfo para desbancar outros nomes cotados, como o da emedebista Jéssica Sales, descapitalizada.

  • O Senado Federal: Na outra ponta, Jorge Viana, que se apresenta novamente como candidato ao Senado pelo PT, estaria costurando para ter Murilo Mendes Leite — irmão mais novo de Rico — como seu primeiro suplente.

O Cenário para 2030: Caso a chapa seja vitoriosa, o plano projeta uma sucessão casada para as eleições subsequentes. Em 2030, Alan Rick deixaria o governo para disputar o Senado, honrando a palavra que estaria dada agora a Rico leite, que seria a bola da vez para o comando do Palácio Rio Branco. Simultaneamente, Jorge Viana retornaria de Brasília para concorrer novamente ao governo estadual, deixando o restante de seu mandato no Senado (4 anos) sob o controle integral de Murilo Leite, irmão de Rico.

Embora o volume financeiro atual assuste, Tião Maia resgata a história política acreana para demonstrar que o uso de fortunas na tentativa de “assaltar” o poder local não é novidade. Contudo, o histórico mostra que o eleitorado do Acre costuma frustrar as ambições baseadas apenas na riqueza.

O Caso Said Farhat (1982)

Apoiado pelo último general da ditadura militar, João Figueiredo, Said Farhat retornou ao Acre amparado por uma expressiva estrutura financeira para disputar o Senado. Apesar de derramar vultosas quantias em todo o estado, acabou derrotado pelo médico Mário Maia, que conduziu uma campanha humilde a bordo de uma velha Brasília e panfletos intitulados “O Gafanhoto”.

O “Homem do Cachimbo” (Antônio Pedreira)

O jornalista Antônio Pedreira buscou um mandato de deputado federal pela antiga Arena utilizando recursos de origem misteriosa e distribuindo “rios de dinheiro”. Ao final do pleito, a população optou por eleger nomes tradicionais e de posses modestas da região, como Nosser Almeida, Amilcar de Queiroz e Wildy Viana, rejeitando a tentativa de compra de mandatos.

Das Sombras do “Boom” Caipira ao Centro do Poder

A trajetória dos irmãos Mendes Leite no Acre remonta à década de 1970, período marcado pela chegada dos chamados “paulistas”. Conforme dados históricos da Comissão Pastoral da Terra (CPT), esse período foi caracterizado por uma profunda reconfiguração fundiária, onde incentivos fiscais federais e estaduais impulsionaram a pecuária extensiva em detrimento do extrativismo nativo.

Essa transição substituiu seringais por latifúndios e gerou um rastro de conflitos agrários violentos que vitimaram lideranças históricas como Wilson Pinheiro e Chico Mendes. Enriquecidos nas décadas seguintes, os empresários souberam transitar com dissimulação e método pelos bastidores do poder, ganhando espaço inclusive durante as administrações do PT sob o discurso da “Florestania”. O trânsito de Rico Leite nos gabinetes governamentais, antes discreto, agora se consolida como uma tentativa direta de ocupação dos cargos majoritários.

Conclusão: O Fator Eleitor

A ambiciosa engenharia política desenhada por Alan Rick, Jorge Viana e os irmãos Leite tenta estabelecer um monopólio de poder de longo prazo no Acre. No entanto, como sintetiza Tião Maia, os articuladores desse plano “esqueceram de combinar com o eleitor”.

Em tempos de maior transparência e comunicação instantânea, as manobras de bastidores vêm a público rapidamente. A história acreana demonstra que, embora o “vil metal” exerça forte pressão, a tradição de reação e independência do eleitorado local continua sendo o principal obstáculo para os novos e velhos aventureiros da política.

A sinergia Leite/Vianas

A relação do empresário Ricardo Leite (conhecido como Rico Leite) — cuja família fundou e comandou empreendimentos de grande porte no Acre, como a Uninorte (União Educacional do Norte) e o Grupo Mercale — com os governos do Partido dos Trabalhadores (PT) liderados por Jorge Viana (1999–2006) e Tião Viana (2011–2018) foi marcada por um forte alinhamento institucional, parcerias público-privadas e incentivos ao desenvolvimento econômico regional.

Durante as gestões da chamada “Florestania” (modelo de desenvolvimento adotado pelo PT no Acre), a Uninorte consolidou-se como a principal instituição privada de ensino superior do estado.

  • Financiamento e Bolsas: Houve uma forte sinergia com programas de inclusão educacional. A instituição cresceu significativamente beneficiada tanto por programas federais (como o FIES e ProUni) quanto por incentivos locais que facilitavam o acesso de servidores públicos e estudantes de baixa renda ao ensino superior.

  • Projetos de Extensão: A Uninorte frequentemente firmava convênios com as secretarias estaduais de Saúde, Educação e Segurança Pública para estágios supervisionados e capacitação profissional, inserindo a faculdade na estrutura de prestação de serviços do Estado.

A família Leite diversificou seus investimentos no Acre (passando pelo varejo com o Mercale, além de setores de infraestrutura, imobiliário e pecuária).

  • Os governos de Jorge e Tião Viana adotavam uma política de atração e fortalecimento do empresariado local para tentar industrializar e gerar empregos no estado. Empresas do grupo familiar receberam apoio institucional através de políticas de incentivo fiscal e facilitação de crédito pelas agências de fomento governamentais.

Ricardo Leite sempre manteve o perfil de um interlocutor ativo entre a classe empresarial acreana e o poder público.

  • Trânsito Político: Embora fosse um ator do setor privado, sua atuação era de cooperação com as diretrizes de planejamento do governo estadual da época. A relação era descrita como pragmática e de apoio mútuo para viabilizar grandes projetos que posicionassem o Acre como um polo de serviços e comércio na Região Norte.

  • Continuidade: Esse trânsito com o poder público demonstrou ser estritamente institucional e empresarial, uma vez que o grupo e o próprio empresário continuaram mantendo forte diálogo e recebendo condecorações e parcerias em gestões subsequentes de espectros políticos opostos (como as do ex-governador Gladson Cameli e prefeituras locais).

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REDAÇÃO

Autor da publicação.