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Estelionatário contumaz: após deixar a prisão com tornozeleira, falso advogado enfrenta nova ofensiva da Polícia Civil e vítima pede medida protetiva

A situação judicial de João Valbecir Barbosa, de 57 anos, preso pelos crimes de estelionato e exercício ilegal das profissões de advogado e perito criminal, tornou-se ainda mais delicada. Depois de deixar a prisão mediante medidas cautelares impostas pela Justiça, o investigado agora passa a enfrentar uma nova frente de responsabilização criminal e patrimonial.

Na audiência de custódia realizada na última sexta-feira, João chegou a chorar diante do magistrado, mas não manifestou arrependimento pelas acusações que pesam contra ele. Na manhã desta segunda-feira, a principal vítima do caso, uma idosa de 75 anos, compareceu novamente à delegacia para solicitar uma medida protetiva de urgência contra João Valbecir.

O pedido foi motivado pelo fato de o investigado ter passado a residir na mesma rua da mulher. Segundo relatos apresentados à Polícia Civil, ele tem sido visto circulando tranquilamente pelas proximidades da residência da vítima, comportamento que aumentou o sentimento de medo e insegurança da idosa.

João se diz juiz arbitral, membro do Tribunal Arbitral de São Paulo, com sede em Ribeirão Preto. O nome da idosa aparece com restrição na Serasa, com negativação solicitada pelo tal tribunal, do qual a mulher jamais ouviu falar.  Em confiança, acreditando que João Valbecir fosse mesmo o que dizia ser, a idosa lhe passou uma procuração que mais tarde foi cancelada.

A família da vítima tenta sem sucesso obter informações sobre como o nome da idosa foi usado junto ao tribunal arbitral, cujo objeto seria promover conciliações. A vítima apresentou anotações de valores pagos em espécie a João, mês a mês. Ela exige o ressarcimento de aproximadamente R$ 50 mil.

Esse dinheiro era cobrado por João sob a promessa de prestação de serviços advocatícios que jamais produziram qualquer resultado concreto.

Embora tenha obtido o direito de responder ao processo em liberdade, o acusado passou a cumprir uma série de restrições rigorosas. Ele está sendo monitorado por tornozeleira eletrônica, está proibido de deixar Rio Branco sem autorização judicial, deverá permanecer recolhido diariamente a partir das 18 horas, não poderá frequentar bares, festas ou outros ambientes festivos, além de estar impedido de manter qualquer contato ou aproximação das testemunhas do processo.

A Polícia Civil avalia o pedido como mais um elemento relevante dentro da investigação.

O delegado Karleson Nespoli, responsável pelo inquérito, deverá requerer à Justiça a apreensão de todos os móveis adquiridos nas Lojas Gazin em nome da vítima. Conforme a investigação, os bens foram comprados utilizando o nome da idosa durante o período em que ela acreditava estar sendo representada por um advogado regularmente habilitado.

Os investigadores também apuram prejuízos relacionados ao aluguel de um apartamento que teria sido assumido em nome da vítima, mas cujos pagamentos nunca foram realizados.

Reincidência preocupa investigadores

O histórico criminal de João Valbecir pesa contra ele.

Em 2023, ele já havia sido preso pelos mesmos tipos de crimes. Conforme a Polícia Civil, o investigado é apontado como um estelionatário contumaz, que costumava apresentar-se falsamente como advogado e, em diversas ocasiões, também como perito criminal para conquistar a confiança das vítimas.

As investigações indicam ainda um padrão recorrente de atuação: a escolha de pessoas idosas como alvos preferenciais dos golpes, explorando a vulnerabilidade e a confiança depositada em quem se apresentava como profissional da área jurídica.

Com o pedido de medida protetiva, as novas diligências patrimoniais e o avanço das investigações, a situação penal de João Valbecir Barbosa tende a se agravar, podendo resultar não apenas no endurecimento das medidas cautelares já impostas, mas também em novas responsabilizações caso fique comprovado o descumprimento das determinações judiciais ou a continuidade de práticas destinadas a intimidar vítimas e testemunhas.

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REDAÇÃO

Autor da publicação.