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EXCLUSIVO: acesso ao quarto, roupas trocadas, contradições, silêncio e ausência de testemunhas ampliam dúvidas sobre caso Chico Melo

A investigação da suposta invasão à residência do jornalista Chico Melo, em Cruzeiro do Sul, ganhou novos elementos que levantam uma série de questionamentos sobre a dinâmica do crime. As dúvidas reunidas pela reportagem de O Seringal não representam conclusões, tampouco antecipam qualquer juízo sobre os fatos. Elas decorrem de informações obtidas junto a dois vizinhos, da análise do imóvel e do material divulgado após o episódio, e podem contribuir para o trabalho da Polícia Civil e da perícia criminal.

O caso está sob responsabilidade do delegado Alcino Júnior, que ainda não se manifestou sobre os questionamentos encaminhados pela reportagem.

Como quatro criminosos chegaram ao quarto?

A primeira dúvida diz respeito ao acesso ao quarto onde Chico Melo afirma ter sido surpreendido pelos criminosos.

Segundo vizinhos, o jornalista dorme em um cômodo localizado no segundo pavimento de uma estrutura suspensa. Para que quatro invasores chegassem até o local sem serem percebidos, haveria apenas duas possibilidades aparentes: escalar a fachada da residência ou utilizar escadas para alcançar a janela do quarto. A imagem casa em amarelo é antiga.

Até o momento, entretanto, não foram divulgadas informações sobre vestígios que indiquem escalada, pegadas, marcas de apoio ou qualquer outro sinal compatível com esse tipo de acesso.

A janela apontada como entrada também apresenta obstáculos

Outra circunstância chama atenção.

A janela lateral que teria sido arrombada fica posicionada acima do galpão existente no terreno vizinho., como revelam imagens desta quinta-feira, feitas por satélite.  Na prática, para alcançá-la, os criminosos precisariam primeiro subir sobre essa estrutura (telhado de alumínio, branco), para então forçar a abertura e ingressar no imóvel.

Segundo apurou a reportagem, a polícia não teria identificado marcas materiais que demonstrem esse percurso.

Caso essa hipótese seja confirmada, caberá à perícia esclarecer de que forma quatro pessoas conseguiram acessar o local sem deixar vestígios aparentes.

O corredor lateral também levanta dúvidas

Outro ponto considerado sensível envolve o acesso pela lateral da residência.

Conforme relatos obtidos pela reportagem, o corredor que leva aos fundos do imóvel permanece protegido por um portão frontal.

Quem conhece a residência afirma que esse acesso somente poderia ser utilizado caso alguém abrisse o portão pelo lado de dentro.

É justamente esse corredor que conduz até a cozinha e à parte posterior da casa, por onde seria possível alcançar a escada de acesso ao apartamento suspenso onde Chico Melo dormia.

Se essa dinâmica for confirmada pela investigação, restará esclarecer como os invasores conseguiram vencer essa barreira.

Outro aspecto considerado relevante envolve a presença de outras pessoas no imóvel. Nos fundos da residência morariam duas outras pessoas, que seriam parentes do jornalista.

Até o momento, não há informação pública de que eles tenham ouvido movimentação, gritos, pedidos de socorro ou qualquer ruído compatível com a ação atribuída a quatro criminosos.

Caso isso tenha realmente ocorrido, a polícia deverá esclarecer como toda a ação teria acontecido sem despertar atenção.

O que aconteceu dentro do quarto?

As circunstâncias internas do quarto também permanecem cercadas de dúvidas.

Ainda não foi esclarecido oficialmente se a companheira do jornalista e uma criança, que também residem no imóvel, estavam presentes no momento da agressão.

A reportagem considera essa informação essencial para a reconstituição dos fatos, sobretudo porque não há detalhes públicos sobre eventuais testemunhas presenciais da violência.

Celular levado… e outro deixado para trás

Outro detalhe desperta atenção.

Os criminosos teriam levado apenas o telefone celular de Chico Melo.

Entretanto, segundo a própria narrativa divulgada, deixaram no local um aparelho desconhecido, posteriormente recolhido pela Polícia Militar e que precisa ser periciado.

Ao mesmo tempo, todas as fotografias mostrando o quarto, os lençóis com manchas de sangue e o ambiente revirado foram produzidas utilizando o celular da esposa do jornalista.

Isso indica que o aparelho dela permaneceu com ela durante toda a ocorrência, mesmo com os criminosos recolhendo apenas o telefone pertencente à vítima.

A polícia deverá esclarecer se esse aparelho contém registros relevantes sobre o horário dos fatos, ligações, fotografias, mensagens e demais elementos que possam auxiliar na investigação.

A troca de roupas gera novos questionamentos

Outro detalhe observado pela reportagem envolve a sequência das imagens divulgadas após o episódio.

Nas fotografias feitas depois do atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), Chico Melo aparece  usando uma camisa escura.

Posteriormente, ao comparecer à Delegacia Geral, ele surge utilizando uma camisa polo branca com manchas avermelhadas que aparentam ser sangue.

Segundo informações obtidas pela reportagem, essa camisa branca seria justamente a roupa usada quando ele teria sido agredido.

A sequência dos acontecimentos levanta uma dúvida objetiva: Chico Melo teria retirado a camisa ensanguentada para ir ao hospital, retornado para casa vestindo outra roupa e, antes de seguir para a delegacia, colocado novamente a peça utilizada durante a agressão (polo branca)?

Essa cronologia poderá ser esclarecida pela própria investigação, mediante depoimentos e análise das imagens.

Câmeras e testemunhas

Outra questão ainda sem resposta envolve a existência de imagens de monitoramento.

A reportagem questionou se a Polícia Civil já identificou câmeras de segurança em residências vizinhas ou estabelecimentos próximos que possam registrar a movimentação dos supostos invasores antes ou depois do crime. Será fácil para os investigados, considerando que o imóvel está situado á margem da rua, sem qualquer obstáculo que prejudique o alcance das câmeras.

Também permanece sem esclarecimento se a esposa do jornalista prestou depoimento formal relatando sua presença — ou ausência — durante a ocorrência.

Investigação precisa responder

As dúvidas apresentadas pela reportagem não significam que o crime não tenha ocorrido nem colocam em dúvida, por si só, a condição da vítima. Elas representam questionamentos objetivos baseados na configuração do imóvel, em relatos de moradores da vizinhança e em elementos já divulgados publicamente.

Diante das inconsistências aparentes, caberá à Polícia Civil, ao delegado Alcino Júnior e à perícia criminal responder, por meio de provas técnicas, perguntas fundamentais: por onde os criminosos entraram? Como chegaram ao segundo pavimento? Houve testemunhas? Existem imagens de segurança? Os vestígios encontrados são compatíveis com a dinâmica apresentada?

Enquanto essas respostas não forem oficialmente apresentadas, o caso continuará cercado de dúvidas que somente uma investigação técnica, isenta e minuciosa poderá dissipar.

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REDAÇÃO

Autor da publicação.