Há um argumento que se repete à exaustão no debate político acreano: o de que Mailza Assis não teria condições de vencer uma eleição majoritária porque “nunca foi votada”. A frase ganhou ares de mantra entre adversários, mas não resiste a uma simples consulta à história política do Acre.
Primeiro, é preciso separar propaganda de realidade. Mailza Assis não surgiu do nada. Foi senadora da República por quatro anos, exerceu o cargo de vice-governadora e hoje ocupa a função de chefe do Executivo estadual. Pode-se concordar ou discordar de sua gestão, mas é intelectualmente desonesto afirmar que ela nunca foi submetida ao crivo político. Ela integrou chapas vencedoras e ocupou cargos conquistados em eleições.
Mais importante: a tese de que alguém precisa ter vencido uma eleição majoritária anteriormente para vencer a próxima é desmentida pelos próprios fatos do Acre.
Flaviano Melo nunca havia sido eleito governador quando disputou o Palácio Rio Branco pela primeira vez. Venceu com expressivos 67% dos votos válidos. Binho Marques também jamais havia sido eleito para o Executivo estadual e conquistou o governo logo em sua estreia como candidato ao cargo.
O mesmo ocorreu nas principais cidades do estado. Orleir Cameli nunca havia sido votado quando foi eleito prefeito de Rio Branco. Marcus Alexandre também venceu a Prefeitura da capital na primeira vez em que disputou o cargo. Em Cruzeiro do Sul, o fenômeno se repetiu.
E não se trata de exceções isoladas. A política acreana está repleta de exemplos de candidatos eleitos logo na primeira disputa majoritária: Bocalom em Acrelândia; Nilson Areal em Sena Madureira; Rodrigo Damasceno e Lucinéia Sérgio em Tarauacá; Del Raílson e Kieffer em Feijó; Fernanda Hassem e Carlinho do Pelado em Brasiléia; Del Sérgio Lopes em Epitaciolândia; Celson Ribeiro, Jânio Gomes e Rosana Gomes em Senador Guiomard. A lista atravessa diferentes partidos, épocas e grupos políticos.
O que a história revela é simples: o eleitor acreano nunca tratou a “estreia eleitoral” como impedimento automático. Em várias ocasiões, preferiu justamente nomes que ainda não haviam disputado aquele cargo específico.
Portanto, a discussão relevante não é se Mailza “já foi votada” — porque a trajetória política dela demonstra participação em processos eleitorais e exercício de mandatos de alta relevância. A pergunta que interessa ao eleitor é outra: os resultados apresentados no governo são suficientes para convencer a população a mantê-la no poder?
É nesse terreno — o das entregas, das alianças, da capacidade administrativa e da percepção popular — que a eleição será decidida. Reduzir o debate à frase “nunca foi votada” não é análise política; é slogan de oposição.
E slogans podem render aplausos em palanque. Mas, no Acre, a história mostra que eles nem sempre resistem às urnas.

