Há uma curiosidade na política de Rio Branco que a chama atenção: Alysson Bestene parece ter descoberto uma fórmula simples para governar — trabalhar, ouvir e não arrumar briga com ninguém. Desde que assumiu a Prefeitura, adotou uma postura diferente daquela marcada por confrontos políticos e disputas públicas. Em vez de transformar adversários em inimigos, preferiu ocupar as ruas, acompanhar obras, ouvir comunidades e colocar a máquina pública para funcionar.
O resultado apareceu rápido nas pesquisas.
Levantamento da Agência Delta, divulgado em junho pela TV Gazeta, apontou 53,69% de aprovação à administração Alysson Bestene, contra 25,77% de desaprovação. A pesquisa ouviu 1.201 pessoas em 18 municípios, sendo a avaliação da gestão municipal concentrada nos entrevistados de Rio Branco.
Na zona rural, a estratégia também foi de aproximação. O prefeito atual reuniu-se com presidentes de ramais e lideranças da Transacreana para ouvir diretamente as demandas dos produtores. Entre as reivindicações estavam recuperação de ramais, piçarramento, apoio à produção e maior presença do poder público nas comunidades.
É aí que aparece uma diferença importante de método.
Alysson tem adotado um perfil mais leve, conciliador e pacificador. Não significa ausência de firmeza. Significa compreender que prefeitura não é ringue político e que o cidadão pouco se importa com a briga do prefeito com seus adversários quando o ramal está intrafegável, a rua está esburacada ou a família precisa de ajuda.
E talvez esteja justamente aí o segredo da aprovação precoce.
Enquanto a gestão anterior de Tião Bocalom terminou mergulhada em forte desgaste político e críticas, Alysson decidiu não carregar para o novo governo a lógica do confronto, tampouco demitiu ninguém. E, claro, sem que ambos se tornassem desafetos. Pelo contrário, parecem amigos.
A comparação, inevitavelmente, surge no debate público: de um lado, um estilo mais combativo; de outro, um prefeito que tenta construir pontes e aparecer menos em discussões e mais na execução.
Outro componente dessa mudança de imagem está na atuação da primeira-dama Roberta Lins.
Durante as enxurradas que atingiram Rio Branco, a administração municipal mobilizou equipes para atender áreas atingidas, e Alysson, que estava em Brasília, mobilizou um gabinete de crise, pelo telefone, e posteriormente esteve pessoalmente acompanhando as ações emergenciais. A prefeitura registrou, por exemplo, a presença do prefeito no bairro Plácido de Castro, acompanhando os trabalhos depois do transbordamento de igarapés.
Roberta, nesse contexto, vem construindo uma imagem diferente daquela da primeira-dama meramente protocolar. A percepção transmitida é de alguém que participa, acompanha e coloca a mão na massa — uma postura que, em momentos de calamidade, costuma falar mais alto do que discursos – e que não se viu na primeira-dama anterior.
O contraste com o estilo do casal Bocalom-Kelly Nunes também passou a fazer parte da conversa política, embora avaliações sobre a atuação da ex-primeira-dama sejam, naturalmente, objeto de opinião e disputa política. Notadamente por que Kelly surge apenas em vídeos melosos, com aquele amor platônico forçado pelo marido, como se isso fosse de interesse público. Chega a ser nojento!!
O fato concreto é que Alysson conseguiu, em poucos meses, construir uma imagem pública de prefeito acessível, menos beligerante e mais presente nas ruas.
E a lição política que emerge dessa experiência é quase elementar: talvez seja mesmo mais fácil governar quando o prefeito concentra energia em resolver problemas do povo — e não em vencer discussões, alimentar rivalidades ou transformar a prefeitura em extensão de seus interesses pessoais.
No fim das contas, o eleitor costuma ter uma régua bastante simples.

